Carmen Rodrigues Tatsch
Resumo
Este artigo discute a questão da pesquisa-ação e suas inter-relações nas áreas de saúde mental e de psicologia comunitária. Desenvolvemos alguns enfoques teóricos e metodológicos que atravessam nossas intervenções e apresentamos as metodologias da pesquisa-ação, do vídeo antropológico e do teatro antropológico tal como as utilizamos em instituições de saúde mental e em comunidades do Rio de Janeiro, Brasil.
Palavras-chave: pesquisa-ação; saúde mental; comunidade.
Introdução
Há muitos anos vimos desenvolvendo pesquisas com as metodologias da pesquisa-ação, do vídeo antropológico e do teatro antropológico em instituições de saúde mental e em comunidades do Rio de Janeiro.
Trabalhamos com a hipótese de que as expressões singulares de cada cultura funcionam como um sistema informal de promoção de saúde e contribuem para a formação dos processos identificatórios com características particulares, em contraposição ao movimento massificatório dominante. Esta hipótese tem sido confirmada em anos de pesquisas cujo trabalho de campo é realizado em comunidades urbanas desfavorecidas sócio-economicamente. Em nosso entender, quando buscamos valorizar, dar visibilidade e dinamização a estas culturas estamos realizando promoção de saúde mental.
Entendemos promoção de saúde mental no sentido de um processo que afirme a vida, que busque a mudança, que esteja em permanente processo de instituir-se. Deleuze cita FOUCAULT (1988): “não se sabe do que o homem é capaz enquanto ser vivo, como conjunto de forças que resistem”.
Com vida, queremos dizer tudo aquilo que se opõe à morte, à imobilidade, à inércia. E para isso, é preciso mudar o próprio homem. O homem aprende a aprisionar a vida dentro de si. É necessário extrair forças dentro do próprio homem para haver uma vida mais ampla, mas afirmativa, mais rica em possibilidades
Pesquisa-ação – intervenção em instituições
Iniciamos as pesquisas com as metodologias da pesquisa-ação, do vídeo e do teatro antropológicos na década de 80. Estas foram realizadas em instituições de saúde mental do Rio de Janeiro ¬(Instituto de Psiquiatria da UFRJ; Hospital Pinel – atual IPP; Colônia Juliano Moreira); junto à comunidade acadêmica da UFRJ e às comunidades de favela e de asfalto da cidade do Rio de Janeiro.
Nas pesquisas em comunidades, interessa-nos o estudo das culturas regionais que preservaram seus rituais e formas próprias de expressão, mantendo assim seus valores, arte, identidade.
Em 2001 iniciamos pesquisa – ação junto à comunidade quilombola da Rasa, Município de Armação dos Búzios, Rio de Janeiro. Naquela ocasião, a pesquisa articulava-se à Escola de Comunicação, UFRJ. A partir de 2005, esta passou a vincular-se à Universidade Veiga de Almeida. Em ambas as fases, os projetos contaram com o apoio da FAPERJ.
Todo o processo da pesquisa é acompanhado pelo registro em vídeo e pela projeção do material áudio-visual para a comunidade, em um contínuo feed back. O método de vídeo antropológico baseia-se no cinema etnográfico, o qual possibilitou o uso da “câmara participante”. A pesquisa conta, nesta área, com a consultoria do Prof. Ferruccio Marotti, diretor do Centro Ateneo da Universidade de Roma.
Entre os resultados encontrados em nossa pesquisa, poderíamos dizer que houve um processo de “empoderamento” destes sujeitos. As relações de poder existentes passaram a modificar-se, abrindo campo para lideranças comunitárias nas deliberações políticas locais. Iniciou-se um processo de transformação do lugar de exclusão e isolamento em que se encontravam.
Podemos inter-relacionar estes processos com o conceito de empowerment, tal como o Prof. Alípio Sanchez Vidal, em seu Compêndio de Psicologia Comunitária, o desenvolve: empowerment é uma idéia emergente da Psicologia Comunitária e outros campos da política e da ação social. Implica, sobretudo, desfazer o foco da psicologia na saúde, para enfocar o poder sustentável, a análise e a mudança social y psicosocial. Há uma re-focalização psicológica no empowerment.. Os significados de empowerment mais usuais são : dar poder, autorizar ou capacitar, quer dizer,empoderar.
Vimos articulando um projeto de turismo histórico- antropológico- ecológico que congrega participantes de diversas formas associativas da região e visa criar um tipo de turismo que permita o desenvolvimento humano, social e econômico para esta população, de forma sustentável . O projeto oferece um contraponto ao movimento predatório existente, pois o enfoque na geração de renda se dará de forma a preservar a cultura, a história e o espaço da população local e a melhorar a qualidade de vida não só do ponto de vista econômico, mas também político e cultural.
Visando organizar este circuito temos realizado diversas visitas, acompanhadas por lideranças, a locais desta região que farão parte do percurso turístico. As visitas aos circuitos turísticos têm sido realizados com a presença de professores provenientes de diversas áreas acadêmicas, e participaram nos eventos realizados na Rasa, organizados pela equipe juntamente com lideranças da comunidade estudada. Contamos com a participação dos professores: Massimo Canevacci (Universitá di Roma), Carlos Lessa (UFRJ), Sidi Askofaré (Université de Toulouse), Alípio Sanchez Vidal ( Psicologia Comunitária (Universidad de Barcelona), Paola Mieli (School of Visual Arts, New York) e outros, que trouxeram interessantes contribuições ao projeto.
A partir destas visitas, veio a surgir, em processo de auto-gestão, a idéia da criação de um centro cultural onde as diversas associações da Rasa (artesãos, agricultores, costureiras, jardineiros…) virão a comercializar seus produtos.
Atualmente lideranças de diversas Associações (de Arte e Cultura, de Moradores, de Produtores Rurais, dos Quilombolas, do Fórum Inter-comunitário) estão realizando encontros, juntamente com a equipe de pesquisa, para tratar da criação do Centro Cultural da Rasa, a ser gerido por estas lideranças.
Esta é um momento de passagem de um percurso que terá diversos desdobramentos, que estão em fase de gestão. Através deste artigo esperamos multiplicar espaços de debate e reflexão.
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Autorización
Io, Drª Carrnen Rodrigues Tatsch, ID. 3131706, IFP, autorizo a las autoridades del III Congresso Argentino de Salud Mental y la Comission Directiva del de la Associación Argentina de Salud Mental a reproduzir em el formato que sea conveniente (editión em papel, em formato eletrônico o e-book, etc), el trabajo, comunicación libre, pôster, mesa redonda, etc. presenteado com el título “Pesquisa-ação na saúde mental e na comunidade”. Asimismo autorizo a los editores a vender la obra, consevandome los derechos para publicar mi articulo em forma total o parcial em otras publicaciones em el futuro.
Drª Carmen Rodrigues Tatsch