Caleidoscópio

Quando estava em Inhotim e vi o efeito que este caleidoscópio dava,  fiquei inspirada. Lembrei dos caleidoscópios que tive quando criança, feitos de grãos, missangas e outras coisas. Quando você girava, formavam-se várias figuras, sempre diferentes, dependendo de como caíam e aquela forma que aparecia se multiplicava muitas vezes. Eu ficava encantada e por mais que meu pai me explicasse como aquilo funcionava, para mim parecia mágica.

Eis-me então em Inhotim vendo e vivendo este efeito de multiplicação de imagens. Só que agora é a imagem de meu rosto. Muitas perguntas surgem: Quantas Carmen há aí? Quantas Carmen há aqui? Os diversos caminho trilhados na vida me levam a muitos lugares. Às vezes me pergunto e se naquele momento aquela aposta que fiz, aquele caminho que pensei em seguir tivessem se concretizado, como teria sido minha vida? Mas sei que minhas escolhas teriam sempre a mira voltada para certas direções – a escolha da liberdade, a busca da amorosidade e do fortalecimento de redes de compartilhamento, o percorrer os caminhos segundo minha ética pessoal.

 

Revisitando fotos

Eu fiz muitas viagens ao redor do mundo. Inicialmente, minhas fotos eram tiradas com aquelas câmaras antigas, com imagens muitas vezes desfocadas. Quando queria uma foto melhor tinha que chamar um fotógrafo profissional, com sua câmera que custava uma fortuna.

Felizmente, neste sentido os tempos mudaram para melhor. Hoje em dia qualquer celular com uma boa definição permite tirar fotos ótimas.  Agora o problema é outro. São tantas as fotos de cada viagem, que a gente deixa para selecionar depois. As pessoas pedem pra ver e a gente diz que vai fazer uma reunião para mostrar. Mas surgem outras viagens e as fotos se acumulam e a tal reunião fica marcada para o dia de São Nunca.

Eu estava assim, com muitas fotos, de muitas viagens e queria selecionar algumas e escrever algo sobre estas que considerasse significativo. Mas estava empacada, não conseguia escolher. Por sorte minha, Fabio Nazareth, meu parceiro de trabalho, especialista em muitas áreas das tecnologias digitais, também atua como fotógrafo e realiza trabalho de organização de fotos e montagem de acervo. Ele começou a pinçar algumas fotos de minhas viagens e o fez com muita sensibilidade.

Essa postagem dá início a uma série batizada de “Revisitando Fotos“.

Luz no fim do túnel

Quando meu olhar bateu nesta foto. Pensei: luz no fim do túnel? Quem dera. Mas pelo menos a arte me inspira isto. A arte e o tempo. Este túnel foi construído há mais de 6.000 anos.  Era uma época em que as populações eram nômades. Um dia, um destes grupos, ao deparar-se com uma montanha em forma de um gigante deitado, crê estar diante de um sinal de que deveriam assentar-se ali. E construíram monolitos, hoje conhecidos como os Dólmenes de Antequera, Andaluzia.    

Estávamos viajando de carro pelas belas estradas do sul da Espanha. Depois de Ronda, estávamos nos dirigindo para Granada. De repente, numa mesa apareceu um folheto sobre este lugar monolítico. Não estava nos planos, nem nos nossos mapas e guias, mas por sorte, era a caminho para onde nos dirigíamos. Grata surpresa.  Tem sido muito gratificante relembrar as sensações que tive ao ver as fotos das viagens. É como se eu estivesse lá novamente.

Um camelo no caminho

Sempre gostei de ir tateando por aí. Deixando fluir, acontecer. Em 2011 fiz uma viagem que me permitiu vivenciar isto. Nesta foto, estou no norte da Índia, passeando pelo deserto em um camelo.

Mais adiante encontro um acampamento cigano e muitas crianças vem ao meu encontro e me observam. Falamos por mímica, como em boa parte de minha viagem. Eu curiosa com elas e elas curiosas comigo. Subo novamente no camelo. Subir e descer do camelo não é tarefa fácil. Mas andar nele sentindo o vento no rosto é uma delícia.

Sigo meu caminho.


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