
Quando estava em Inhotim e vi o efeito que este caleidoscópio dava, fiquei inspirada. Lembrei dos caleidoscópios que tive quando criança, feitos de grãos, missangas e outras coisas. Quando você girava, formavam-se várias figuras, sempre diferentes, dependendo de como caíam e aquela forma que aparecia se multiplicava muitas vezes. Eu ficava encantada e por mais que meu pai me explicasse como aquilo funcionava, para mim parecia mágica.
Eis-me então em Inhotim vendo e vivendo este efeito de multiplicação de imagens. Só que agora é a imagem de meu rosto. Muitas perguntas surgem: Quantas Carmen há aí? Quantas Carmen há aqui? Os diversos caminho trilhados na vida me levam a muitos lugares. Às vezes me pergunto e se naquele momento aquela aposta que fiz, aquele caminho que pensei em seguir tivessem se concretizado, como teria sido minha vida? Mas sei que minhas escolhas teriam sempre a mira voltada para certas direções – a escolha da liberdade, a busca da amorosidade e do fortalecimento de redes de compartilhamento, o percorrer os caminhos segundo minha ética pessoal.
Eu fiz muitas viagens ao redor do mundo. Inicialmente, minhas fotos eram tiradas com aquelas câmaras antigas, com imagens muitas vezes desfocadas. Quando queria uma foto melhor tinha que chamar um fotógrafo profissional, com sua câmera que custava uma fortuna.