Luz no fim do túnel

Quando meu olhar bateu nesta foto. Pensei: luz no fim do túnel? Quem dera. Mas pelo menos a arte me inspira isto. A arte e o tempo. Este túnel foi construído há mais de 6.000 anos.  Era uma época em que as populações eram nômades. Um dia, um destes grupos, ao deparar-se com uma montanha em forma de um gigante deitado, crê estar diante de um sinal de que deveriam assentar-se ali. E construíram monolitos, hoje conhecidos como os Dólmenes de Antequera, Andaluzia.    

Estávamos viajando de carro pelas belas estradas do sul da Espanha. Depois de Ronda, estávamos nos dirigindo para Granada. De repente, numa mesa apareceu um folheto sobre este lugar monolítico. Não estava nos planos, nem nos nossos mapas e guias, mas por sorte, era a caminho para onde nos dirigíamos. Grata surpresa.  Tem sido muito gratificante relembrar as sensações que tive ao ver as fotos das viagens. É como se eu estivesse lá novamente.

Homem e cavalo na montanha

 

Às vezes a realização de nossos sonhos acontece de modo diverso do que pensávamos. Em 2011, quando viajava pelo sudoeste da China, me disseram que fosse a Guilin que era de uma beleza ímpar. As fotos dos arrozais coloridos, serpenteando os morros era inebriante.

O caminho da cidade para a montanha era tão lindo que era a paisagem estampada numa das notas do papel moeda chinês. Na foto acima dá pra sentir o clima do dia: frio, chuviscando sem parar e um nevoeiro pairava
no ar e não se via nada a poucos passos adiante.

Mas foi uma das lembranças inesquecíveis de minha viagem.O contato com os moradores do local. A cultura deste povo. As estranhas formas que a fumaça desenhava ano redor. O clima que envolvia tudo. O silêncio. A altitude. Tudo tinha um outro gosto diferente do imaginado.
Mas com um intenso sabor.

Um camelo no caminho

Sempre gostei de ir tateando por aí. Deixando fluir, acontecer. Em 2011 fiz uma viagem que me permitiu vivenciar isto. Nesta foto, estou no norte da Índia, passeando pelo deserto em um camelo.

Mais adiante encontro um acampamento cigano e muitas crianças vem ao meu encontro e me observam. Falamos por mímica, como em boa parte de minha viagem. Eu curiosa com elas e elas curiosas comigo. Subo novamente no camelo. Subir e descer do camelo não é tarefa fácil. Mas andar nele sentindo o vento no rosto é uma delícia.

Sigo meu caminho.


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Sexual-Idade

 

Este tema vem com freqüência no consultório, por pessoas de todas as idades, além de ter sido solicitado por alguns ouvintes de meus áudios.

As crianças apresentam às vezes angústia por terem de lidar com situações ligadas à sexualidade que não conseguem entender, ou expressar.

Os adolescentes freqüentemente se sentem despreparados para o turbilhão de afetos, impulsos, fantasias que até então desconheciam.    

Os jovens podem vir a reagir de modo atabalhoado, intenso, ou indeciso diante de escolhas frente às quais ainda não se sentem preparados.

A maturidade tende, por vezes, à acomodação de situações já conhecidas, mas nem sempre satisfatórias. E com freqüência, à ruptura de escolhas com as quais já não se identifica.

A menopausa causa à mulher o medo de uma mudança brusca em seus impulsos sexuais.

As pessoas com idade mais avançada podem, ou não, vir a se desinteressar por assuntos desta ordem.

Cada idade terá suas características, medos e expressões. Nos mais jovens, os temores relacionam-se, entre outros, com a intensidade dos impulsos e sentimentos. Nas idades mais avançadas a dificuldade é lidar com o declínio destes.

Mas na contemporaneidade houveram grandes mudanças nos comportamentos e expectativas sobre a vida pessoal e social. Com o avanço dos novos medicamentos e a ampliação da perspectiva de vida,  não há necessariamente um corte no manejo das relações afetivo-sexuais.

As vivências das pessoas que já passaram por todas as fases anteriores podem dar uma maior compreensão dos processos que atravessam este tema. A expectativa geralmente é menor, já não há a predominância do estar em relação amorosa assiduamente. Outras questões podem vir a preencher o que anteriormente era de uma urgência absoluta e de um vazio avassalador se não fosse logo preenchido.

Isto não quer dizer que a profundidade das sensações seja menor. Pelo contrário, a experiência e a calma são poderosas companheiras para atingir-se o clímax desejado.

Algumas pessoas talvez não direcionem seu foco para a realização destes propósitos. Mas desenvolver algo neste sentido, mesmo que não seja o objetivo central de sua vida, costuma trazer bem-estar às pessoas. Como dizia o poeta: qualquer maneira de amar vale a pena, se a alma não é pequena.

A sensibilidade é algo que pode ser desenvolvida. Um leve toque, a fruição dos pequenos momentos, a criação de oportunidades que propiciem prazeres são maneiras de amar. Mesmo que não seja AQUELE AMOR idílico, buscado pelos poetas e por tantos românticos.

Não importa o gênero, ou a idade, reviver momentos lúdicos, criar brincadeiras, podem vir a trazer satisfações inesperadas.

Outro aspecto que não é explícitamente ligado ao desabrochar da libido, mas que interfere nesta é a liberdade.

Relações opressoras, controladoras, ciúmes castradores, imposição de poder de um sobre o outro são antítese ao livre gozar da vida.

Gosto muito de uma música que Caetano Veloso e os filhos cantam que diz assim:

O seu amor, ame-o e deixe-o, livre para amar,

O seu amor, ame-o e deixe-o,  ir aonde quiser ,

O seu amor, ame-o e deixe-o, brincar

Ame-o e deixe-o, correr

Ame-o e deixe-o, cansar

Ame-o e deixe-o, dormir em paz.

O seu amor, ame-o e deixe-o, ser o que ele é.

 

 

Entusiasmo

 

Olá, eu sou Carmen Rodrigues Tatsch, psicóloga e psicanalista. Tenho pensado em uma palavra que surge nas questões trazidas em meu consultório: entusiasmo.

Este conceito pode ter muitas conotações, mas vou começar nossa conversa lembrando de sua origem.

O termo Entusiasmo surgiu com os gregos, significa em sua raiz in + theos – em deus. Antigamente era entendido como: possessão por uma entidade divina. Este modo de expressão era vivenciado nos cultos dedicados ao deus Dionysos – o deus da vida.

Na arte grega encontramos influência das características de dois deuses: Apolo, que expressa a individuação e Dionysos, que trata da disposição para a embriaguez.

Nos cantos ao deus Dionysos, os participantes chegavam à perda de si, ao entusiasmo, em estado de potência e de alteridade divina – eles estavam em deus.

Depois de terem passado pela exaltação dionisíaca, havia uma catarse, um apaziguamento. A partir da purificação das paixões as pessoas ficavam mais calmas, sentiam prazer.

A psicanálise entende que, no momento do entusiasmo, o sujeito pode vir a dissolver a sua diferenciação dos demais, a anular suas identificações, a ocorrer um desaparecimento do sujeito, que é possuído pelo gozo da pulsão.

O entusiasmo tem um lugar de importância na análise. Busca-se que o sujeito possa ter um entusiasmo com a vida, com o amor. Atualmente, um dos entendimentos possíveis para entusiasmo é um estado de grande arrebatamento e alegria que pode ser encontrado em  alguns momentos, tais como inesquecíveis shows de rock  e outros eventos do gênero.

O arrebatamento, o êxtase, a catarse costumam eclodir em encontros religiosos e em outras práticas espirituais, levando geralmente, após seu término, a uma estabilização das emoções e ao prazer.   

Às vezes, as pessoas vivem situações que consideram como um dos modos do entusiasmo. Estas podem ser encontradas em acontecimentos da vida cotidiana, tais como ter sucesso em uma conquista amorosa há muito almejada e batalhada.  Ou em uma vitória profissional há tempos sonhada. Ou por ocasião do nascimento de um filho que amplia o campo dos afetos.

O entusiasmo visto como algo mais sereno pode surgir em acontecimentos singelos tais como ver uma criança que sorri, ouvir um pássaro que canta, observar o por do sol…

Violeta Parra, em sua canção imortalizada por Mercedes Sosa Diz:

Gracias a la vida, que me ha dado tanto

Me dio dos luceros, que cuando los abro

Perfecto distingo, lo negro del blanco

Y en el alto cielo su fondo estrellado

Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias  a La vida, que me há dado tanto

Me ha dado el oído, em todo su ancho

Grava noche y dia, grilos y canários

Martírios, turbinas, latridos, chuvascos

E La voz tan tierna , de mi bien amado.

Gracias a la vida que me ha dado tanto

Me ha dado la risa y me ha dado el llanto

Así yo distingo dicha de quebranto

Los dos materiales, que forman mi canto.

Graças à vida que me deu tanto

Me deu dois olhos que quando os abro

Distingo perfeitamente o preto do branco

E no alto céu seu fundo estrelado

E nas multidões o homem que eu amo

Graças à vida que me deu tanto

Me deu o som do alfabeto

E com ele as palavras que eu penso e declaro

Mãe amigo irmão

E luz iluminando, a rota da alma de quem estou amando

Graças à vida que me deu tanto

Me deu a marcha de meus pés cansados

Com eles andei cidades e charcos

Praias e desertos, montanhas e planícies

E a casa sua, sua rua e seu pátio

Graças à vida que me deu tanto

Me deu o coração, que agita seu marco

Quando olho o fruto do cérebro humano

Quando olho o bom tão longe do mal

Quando olho o fundo de seus olhos claros

Graças à vida que me deu tanto

Me deu o riso e me deu o pranto

Assim eu distingo fortuna de quebranto

Nietzsche relaciona o conceito grego de entusiasmo ao mito de Carmen, personagem da conhecida ópera. Ele diz que o mundo de Carmen constitui a retradução do humano à natureza. Este mito trata da crueldade do real, para além do bem e do mal, com  indiferença a toda idéia de culpa.

Os personagem da ópera se entregam com liberdade, sem reservas, com alegria. Essa lógica do amor paixão que transborda e leva os protagonistas, ao êxtase e à destruição corresponde à lógica da tragédia.

Diferença e hostilidade

 

QUANDO SAÍMOS DE NOSSO EIXO?

Resolvi conversar com você sobre este tema porque estamos passando por um momento em que às vezes, sem nos darmos conta, nos vemos envolvidos em situações de vida em que perdemos nosso bom senso, nosso brio, nossa capacidade de uma compreensão mais distanciada do que está acontecendo. Não conseguimos nos colocar no lugar do outro. Nos vemos envolvidos em um turbilhão de emoções que nos tiram do nosso eixo. E  podemos vir a machucar e, consequentemente, virmos a ser machucados por pessoas a quem queremos bem e que nos amam muito.

Acho que é importante incentivar o encontro entre  pessoas que desejam expressar seus pensamentos, sentimentos, trocar idéias, ouvir o que o outro tem a dizer; poder respeitar um ponto de vista, mesmo que seja diferente do seu; bem como cultivar o entendimento, apesar de não identificar-se com tudo o que os que nos cercam são, pensam ou querem.  

     Atualmente há uma polaridade que atravessa os mais diversos grupos sociais. Nestes, há um modo de mobilização que cega os olhos e ensurdece os ouvidos. Aí a alteridade é vivida como uma ameaça.

Ao abordar estas questões, Freud irá falar em narcisismo das pequenas diferenças. Os homens fundamentam os sentimentos de estranheza e hostilidade entre eles em suas pequenas diferenças, apesar de sua semelhança em todo o resto.  

A ligação social é estabelecida principalmente pela identificação dos membros entre si. Há a expressão de um amor a si próprio, um narcisismo que se empenha na afirmação de si.

Sempre é possível ligar um grande número de pessoas pelo amor, desde que restem outras para que se exteriorize a agressividade.

A hostilidade se apega à pequena diferença.  Esta pequena diferença é um mero pretexto para o exercício da destrutividade. A unidade só se forma e se mantém quando há um outro a quem se destina esse impulso agressivo.  

A intolerância desaparece, por meio da formação da massa e dentro da massa. Nesta os indivíduos se conduzem como se fossem homogêneos, suportam a especificidade do outro, igualam-se a ele e não sentem repulsa por ele. Os integrantes de uma massa supõem-se todos irmãos indiferenciados, como se tivessem a mesma forma, uni-form-izados

A massa, identificada a um líder, vincula-se a um modo de operar: “eles se diferem de nós, mas não diferem entre si”. Ou seja, o narcisismo das pequenas diferenças cria uma heterogeneidade intergrupal e, ao mesmo tempo, uma homogeneidade intragrupal.

Este texto de Freud tem sido aplicado a diversos momentos da história. Ele é extremamente atual no Brasil de hoje.

Em contraposição ao discurso reduzido do “nós”contra “eles”, sustentar uma conversação que considere a singularidade de cada um, uma ética que leve em conta o desejo dos sujeitos é uma direção interessante a ser seguida.

Obrigada por me ouvir. Se quiser saber mais sobre meu trabalho visite meu site carmen.psc.br Até breve.

 

Felicidade e mal-estar

Resolvi falar sobre esse tema devido às escutas que tenho, em meu consultório, sobre a busca da felicidade.

 Há diversas formas de se buscar a felicidade. Para algumas pessoas, a procura do ter, do consumir, leva à ilusão de que serão mais saciadas em suas carências, em seu vazio.  Dessa forma, cresce a transformação dos laços sociais em mercadorias, medindo-se seu valor em termos de quantidade. Acredita-se que quanto mais relações, maior o prazer. Reduz-se tudo ao valor de uso, às funções que os objetos ocupam. Há uma “coisificação” de tudo e de todos.

        Os discursos que imperam são de dominação. O modo de derrubar o poder imperativo destes discursos é substituir estes dando lugar ao desejo.E que é de cada um. Um a Um.   

Há uma procura constante da felicidade,  que de acordo com Freud, há uma impossibilidade nisto. É irrealizável a possibilidade de sermos felizes. Mas não se deve abandonar os esforços para se aproximar de algum modo de sua realização. Cada um deve descobrir, por si mesmo,  o caminho para se tornar uma pessoa feliz.

No livro “O mal-estar na cultura”, Freud dedica um espaço privilegiado de reflexão para o tema da felicidade. Para ele, a felicidade significa, além de obtenção de prazer, a evitação de desprazer.

Mas esse princípio de prazer visa eliminar toda excitação presente no aparelho psíquico. Há um mal-estar constante na cultura, uma contradição entre aquilo que constitui o propósito  das pessoas a felicidade no sentido de obter prazer, e a possibilidade real dela ser alcançada, uma vez que toda a constituição psíquica está voltada para atingir o estado zero de tensão.

Para alcançar a felicidade e afastar o sofrimento, a cultura impõe sacrifícios, não somente à sexualidade, mas também à inclinação  das pessoas à agressividade. É preciso realizar a repressão das pulsões. Há uma luta constante entre as pulsões de Eros ( pulsão de vida) e Tanatos ( pulsão de morte). A agressividade é uma disposição pulsional originária do ser humano. Ela é uma exteriorização da pulsão de morte.  

Para sobreviver com a segurança proporcionada pela vida social, o homem “abre mão” da possibilidade de realizar suas pulsões ao bel prazer. O homem vinculado à cultura trocou uma parte de felicidade por uma parte de segurança. Diante desta situação, podemos entender porque os homens dificilmente se sintam felizes.

Entre as técnicas usadas para evitar o sofrimento e construir formas de satisfação prazeirosas encontra-se a sublimação, que é o processo a partir do qual o prazer é atingido pela atividade intelectual.

Outra técnica para buscar o prazer é a fruição da beleza:  das formas e dos gestos humanos, dos objetos naturais e das paisagens, das criações artísticas e científicas.

Exercer atividades criativas, artísticas, intelectuais,belas podem levar as pessoas  a uma diminuição do desprazer e a atingir um maior prazer, mas não é seguro que assim alcançará a felicidade.

É preciso aprender a lidar com seu modo de ser e com suas questões.  Cada um estará mais próximo de atingir a satisfação que busca, sempre não toda, nunca absoluta, à medida que caminhar na construção de  seu desejo. A vida é uma aposta.

Saúde Mental

Resolvi conversar com você sobre este tema porque percebo que às vezes as pessoas não têm uma idéia muito clara sobre isto.

        A saúde mental é um termo utilizado, tanto para abordar algo que trata de todos os sujeitos e sua inserção na sociedade, quanto como uma  proposta que visa a promoção, a prevenção e o tratamento da saúde das pessoas que antigamente eram chamados doentes mentais, ou loucos.

       Um marco nessa mudança de visão em relação à loucura aconteceu 1978, quando em uma conferência internacional passou a conceituar-se a saúde como: um estado de completo bem- estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade.  

       Os profissionais passam então a trabalhar com promoção de saúde, visando atuar na melhoria da qualidade de vida e do bem-estar global.

    A saúde mental é uma parte integrante e essencial da saúde. Inclui a capacidade de um indivíduo de apreciar e administrar a própria vida; ser capaz de ser sujeito de suas próprias ações sem perder a noção de tempo e espaço. Busca o equilíbrio emocional entre as questões internas e as exigências ou vivências externas.

    Há um termo que habitualmente não aparece na bibliografia como associado à saúde mental. Trata-se de: liberdade. Passei a incluir a esta palavra após visitar o Serviço de Saúde Mental de Trieste, Itália. Lá estava escrito, em letras garrafais, num muro:  “A liberdade é terapêutica”. Entendi então que o exercício de tornar-se livre, num mundo que tende à massificação e à alienação é muito significativo. A orientação terapêutica deste lugar valoriza a inserção no trabalho, onde o sujeito possa produzir à medida da sua capacidade.

    A expressão através da arte também é um recurso extremamente valioso. Tem uma função na promoção dos laços sociais e como ponto de ancoragem do sujeito.

    Seja através da arte, do trabalho, ou de qualquer outro modo de produção, cada sujeito busca por um lugar de existência onde irá construir a si mesmo e a sua história.

Casais em conflito

 

CONFLITOS NAS RELAÇÕES AFETIVAS NA CONTEMPORANEIDADE

Escrevo hoje sobre o tema do conflito nas relações afetivas devido à grande procura, em meu consultório, de casais que estão encontrando dificuldades em lidar com seus parceiros.

Vivemos em um mundo que não favorece a aproximação entre as pessoas, nem a criação de vínculos duradouros. As condições de existência contemporâneas trazem uma série de desafios para os casais.

Os vínculos amorosos construídos são atravessados por uma incerteza sobre sua continuidade e nesse sentido, o casal precisa ter condições de administrar o modo contemporâneo de se vincular.

A satisfação e a estabilidade das  relações não estão associadas diretamente à ausência de conflitos, mas à forma com que os  parceiros estabelecem estratégias para solucioná-los.

Entre os motivos mais frequentes de desentendimento  está a relação com os filhos, o tempo que desfrutam juntos, o dinheiro, as tarefas domésticas, o sexo e as questões legais.

Os conflitos que surgem  têm um papel fundamental na saúde mental. O estresse  na relação aumenta a probabilidade dos indivíduos de desenvolverem problemas físicos de saúde e também apresentarem dificuldades de funcionamento no trabalho.

Mesmo após  a separação , algumas pessoas ainda ficam aprisionadas numa dinâmica de repetição das problemáticas vividas durante o tempo que estiveram juntos. .

É importante que estes  parceiros trabalhem sobre o processo de reestruturação subjetiva e de transformação dos laços, ultrapassando a perpetuação de um tipo de vínculo que aprisiona, por outro que liberta.

Numa relação amorosa estão reunidos três aspectos: o do sujeito, o do outro e o da relação entre eles. Para haver uma relação equilibrada, nenhum aspecto deve ter predominância sobre os demais.

Um bom relacionamento é aquele que se estabelece entre iguais, em que cada parte tem seus direitos e obrigações; onde há igualdade de direitos e de responsabilidade e respeito mútuo. É igualmente importante haver um diálogo aberto e a ausência de poder autoritário.  

A manutenção de um vínculo amoroso depende do investimento de ambos na relação, de confiança mútua, de disponibilidade de cada um para com o outro.

 

Relação mãe e filho

 

QUESTÕES SUBJETIVAS NA RELAÇÃO MÃE E FILHO

Resolvi escrever algumas palavras sobre a relação mãe-filho indo além do que as mulheres cotidianamente se ocupam, ou seja, as coisas objetivas que ocorrem nos cuidados com o filho. Vamos fazer um pequeno intervalo nos afazeres de todo dia e tentar entender as questões subjetivas que atravessam esta relação?

Através dos tempos, muitas foram as mudanças no modo de ser mãe. A vida na sociedade, na cultura e na família passou por inúmeras transformações, alterando os modelos anteriormente existentes.

Há muitos modos de exercer a função  materna, mas, independente da sociedade, da cultura ou do nível sócio-econômico, estas funções criarão marcas e identificações na criança  e vai exercer forte influência na constituição de sua subjetividade.

A relação mãe-filho modifica não somente a criança, mas também a mãe. Ela, ao passar pelo processo do parto e nascimento do bebê, vive um rito de passagem que lhe permite dar à luz a si mesma.

O processo de identificação da mãe com o bebê leva a mãe a perceber e a suprir as necessidades de seu filho. A mãe, nos primeiros anos de vida da criança, exerce a função de acolher e processar as angústias, anseios, medos, necessidades e desejos de seu filho. Ela tem a função de apresentar o mundo à criança.

A amamentação é  fundamental para a sobrevivência e saúde do bebê sendo parte importante no processo de desenvolvimento emocional da criança. Esta fase da alimentação tem a capacidade de  unir a experiência de satisfação da fome, com a experiência de segurança, carinho e intimidade no relacionamento do filho com sua mãe.   

O processo de desmame, dependendo da forma como for conduzido, poderá interferir na relação do indivíduo com sua alimentação na fase adulta e indicar certas dificuldades da mãe e da criança em lidar com o processo de separação.

As brincadeiras que a criança realiza, desde os primeiros momentos de sua vida, contribuirão para sua socialização.A criança brinca não somente para repetir situações satisfatórias, mas também para elaborar as que lhe foram traumáticas e dolorosas. Por meio da brincadeira ela recria regras, deixa a imaginação e os sentimentos livres sendo capaz de expressar experiências desagradáveis, atingir um senso de controle sobre os eventos ocorridos e elevar sua auto-estima.

O lúdico também auxilia na revelação de sentimentos e pensamentos que a criança não havia percebido e que, por comportamentos expressos a partir do brincar, pode vir a entrar em contato com estes afetos.

O brincar é fundamental para a estruturação da criança, daí a importância do estímulo a que ela tenha experiências de criatividade e de espontaneidade.