QUESTÕES SUBJETIVAS NA RELAÇÃO MÃE E FILHO
Resolvi escrever algumas palavras sobre a relação mãe-filho indo além do que as mulheres cotidianamente se ocupam, ou seja, as coisas objetivas que ocorrem nos cuidados com o filho. Vamos fazer um pequeno intervalo nos afazeres de todo dia e tentar entender as questões subjetivas que atravessam esta relação?
Através dos tempos, muitas foram as mudanças no modo de ser mãe. A vida na sociedade, na cultura e na família passou por inúmeras transformações, alterando os modelos anteriormente existentes.
Há muitos modos de exercer a função materna, mas, independente da sociedade, da cultura ou do nível sócio-econômico, estas funções criarão marcas e identificações na criança e vai exercer forte influência na constituição de sua subjetividade.
A relação mãe-filho modifica não somente a criança, mas também a mãe. Ela, ao passar pelo processo do parto e nascimento do bebê, vive um rito de passagem que lhe permite dar à luz a si mesma.
O processo de identificação da mãe com o bebê leva a mãe a perceber e a suprir as necessidades de seu filho. A mãe, nos primeiros anos de vida da criança, exerce a função de acolher e processar as angústias, anseios, medos, necessidades e desejos de seu filho. Ela tem a função de apresentar o mundo à criança.
A amamentação é fundamental para a sobrevivência e saúde do bebê sendo parte importante no processo de desenvolvimento emocional da criança. Esta fase da alimentação tem a capacidade de unir a experiência de satisfação da fome, com a experiência de segurança, carinho e intimidade no relacionamento do filho com sua mãe.
O processo de desmame, dependendo da forma como for conduzido, poderá interferir na relação do indivíduo com sua alimentação na fase adulta e indicar certas dificuldades da mãe e da criança em lidar com o processo de separação.
As brincadeiras que a criança realiza, desde os primeiros momentos de sua vida, contribuirão para sua socialização.A criança brinca não somente para repetir situações satisfatórias, mas também para elaborar as que lhe foram traumáticas e dolorosas. Por meio da brincadeira ela recria regras, deixa a imaginação e os sentimentos livres sendo capaz de expressar experiências desagradáveis, atingir um senso de controle sobre os eventos ocorridos e elevar sua auto-estima.
O lúdico também auxilia na revelação de sentimentos e pensamentos que a criança não havia percebido e que, por comportamentos expressos a partir do brincar, pode vir a entrar em contato com estes afetos.
O brincar é fundamental para a estruturação da criança, daí a importância do estímulo a que ela tenha experiências de criatividade e de espontaneidade.