Casais em conflito

 

CONFLITOS NAS RELAÇÕES AFETIVAS NA CONTEMPORANEIDADE

Escrevo hoje sobre o tema do conflito nas relações afetivas devido à grande procura, em meu consultório, de casais que estão encontrando dificuldades em lidar com seus parceiros.

Vivemos em um mundo que não favorece a aproximação entre as pessoas, nem a criação de vínculos duradouros. As condições de existência contemporâneas trazem uma série de desafios para os casais.

Os vínculos amorosos construídos são atravessados por uma incerteza sobre sua continuidade e nesse sentido, o casal precisa ter condições de administrar o modo contemporâneo de se vincular.

A satisfação e a estabilidade das  relações não estão associadas diretamente à ausência de conflitos, mas à forma com que os  parceiros estabelecem estratégias para solucioná-los.

Entre os motivos mais frequentes de desentendimento  está a relação com os filhos, o tempo que desfrutam juntos, o dinheiro, as tarefas domésticas, o sexo e as questões legais.

Os conflitos que surgem  têm um papel fundamental na saúde mental. O estresse  na relação aumenta a probabilidade dos indivíduos de desenvolverem problemas físicos de saúde e também apresentarem dificuldades de funcionamento no trabalho.

Mesmo após  a separação , algumas pessoas ainda ficam aprisionadas numa dinâmica de repetição das problemáticas vividas durante o tempo que estiveram juntos. .

É importante que estes  parceiros trabalhem sobre o processo de reestruturação subjetiva e de transformação dos laços, ultrapassando a perpetuação de um tipo de vínculo que aprisiona, por outro que liberta.

Numa relação amorosa estão reunidos três aspectos: o do sujeito, o do outro e o da relação entre eles. Para haver uma relação equilibrada, nenhum aspecto deve ter predominância sobre os demais.

Um bom relacionamento é aquele que se estabelece entre iguais, em que cada parte tem seus direitos e obrigações; onde há igualdade de direitos e de responsabilidade e respeito mútuo. É igualmente importante haver um diálogo aberto e a ausência de poder autoritário.  

A manutenção de um vínculo amoroso depende do investimento de ambos na relação, de confiança mútua, de disponibilidade de cada um para com o outro.