Discursos e Formas Expressivas de Comunidades Rurais e Urbanas da China.

Projeto de Pós-doutorado (Universidade de Paris VIII, França) 
Discursos e Formas Expressivas de Comunidades Rurais e Urbanas da China.
Profª Drª Carmen Rodrigues Tatsch

A presente pesquisa resultará em um projeto de pós-doutorado que contará com a orientação do Prof. Remi Hess, do Laboratoire Experice, Department de Sciences de l’Education, Université de Paris 8.

 

Desde 2006 temos realizado intercâmbio com este professor e, a partir do presente projeto, teremos a oportunidade de aprofundar questões previamente levantadas nos estudos e trabalhos efetuados sobre a pesquisa na comunidade da Rasa, Búzios, RJ. Adotaremos as metodologias da pesquisa-ação e da escrita implicada.

 

Quanto à questão das imagens obtidas através do vídeo e da fotografia, contaremos com a orientação do Prof. Ferruccio Marotti, do Centro Teatro Ateneo, da Universitá di Roma “La Sapienza, que vêm acompanhando nossas pesquisas e atuado como consultor na área de vídeo antropológico desde 1988.

 

Nossas pesquisas têm sido desenvolvidas, desde a década de 80, junto a instituições de saúde mental e em comunidades do Rio de Janeiro. Inserem-se em uma perspectiva inter-disciplinar, com ênfase nas áreas de saúde mental, análise institucional, psicologia social comunitária e comunicação visual.

 

Trabalhamos com a hipótese de que as expressões singulares de cada cultura funcionam como um sistema informal de promoção de saúde e contribuem para a formação dos processos identificatórios com características particulares, em contraposição ao movimento massificatório dominante. Esta hipótese tem sido confirmada em anos de pesquisas cujo trabalho de campo é realizado em comunidades urbanas desfavorecidas sócio-economicamente. Em nosso entender, quando buscamos valorizar, dar visibilidade e dinamização a estas culturas estamos realizando promoção de saúde mental.

 

O trabalho de campo do presente projeto será realizado na China. A escolha deste país como campo de estudo deve-se à extrema complexidade desta sociedade, tanto em relação à sua história, quanto à contemporaneidade.

 

Pensamos que a constituição das subjetividades desta apresenta uma multiplicidade de expressões singulares e multifacetadas. As informações que obtemos através da mídia e as leituras que temos realizado sobre este lugar levaram-nos ao desejo de estudar as populações chinesas e de averiguar algumas questões e contradições surgidas no decorrer de nossos estudos.

 

O projeto será desenvolvido junto a sujeitos que residem em pequenas vilas e em grandes cidades chinesas. Entre as pequenas vilas que planejamos pesquisar, é nossa intenção escolher algumas que pertençam a grupos étnicos majoritários e outras que estejam inseridas em culturas dos grupos étnicos minoritários.

 

Nas grandes cidades (Shangai e Pequim) estudaremos os entrecruzamentos dos diversos modos de viver e trabalhar. Buscaremos entender se os sujeitos que vivem nestes lugares, encontram-se em forte conexão com sua história, ou se a preocupação com as modernas tecnologias e a inserção em uma visão de mundo globalizado é mais significativa.

 

Nestas cidades realizaremos visitas a universidades com o intuito de conhecer programas acadêmicos nas áreas de ciências humanas e sociais. Pretendemos contribuir com informações para futuros estudos e pesquisas que possam vir a ser realizados neste país, que dia a dia cresce em importância no Brasil e no mundo.

 

No intercâmbio com os orientadores iremos abordar questões que contribuam para uma análise comparativa dos resultados encontrados nas pesquisas realizadas no Brasil (junto às comunidades do Vidigal e da Rasa) e na China (nas pequenas vilas e nas grandes cidades pesquisadas).

 

Esperamos que o enfoque escolhido para este estudo traga contribuições particulares a um campo de conhecimento que; por um lado, apresenta inúmeras pesquisas e estudos já consolidados no meio acadêmico; por outro, possibilita espaço a novos saberes e novas orientações metodológicas.

 

Esta é uma abordagem aberta a novas construções. Cada campo de trabalho, cada comunidade, cada agrupamento humano é constituído de maneira ímpar, com características singulares e pode ser abordado de diferentes modos.

 

1.Objetivos Gerais

– Consolidar a cooperação já existente, aprofundar questões e elaborar trabalhos conjuntos com a Profª Carmen Rodrigues Tatsch, coordenadora do Projeto de Pesquisa Subjetividade, Cultura e Desenvolvimento Social, desenvolvido no Brasil, com o Prof. Remi Hess, diretor do Laboratório Experice, da Université de Paris VIII, e com o Prof. Ferruccio Marotti, coordenador do Centro Teatro Ateneo, da Universitá di Roma “La Sapienza”.

 

– Realizar pesquisa junto a sujeitos que residem em pequenas vilas e em grandes cidades da China, visando entender as inter-relações dos sujeitos que ali vivem com sua história e suas tradições. Verificaremos ainda a influência nestes lugares do atual modus vivendi globalizado e das recentes e intensas mudanças sócio-econômico-político-culturais que encontram-se em curso.

 

– Analisar comparativamente o material pesquisado na China e no Brasil (comunidades do Vidigal e da Rasa) e estudar as inter-relações existentes entre os resultados encontrados.

 

1.1.Objetivos específicos

– Averiguar os efeitos das metodologias utilizadas (pesquisa-ação, vídeo antropológico) nos sujeitos e coletividades estudados na China.

 

– Visitar as Universidades de Shanghai e Pequim com o intuito de conhecer programas acadêmicos nas áreas de ciências humanas e sociais e contribuir com informações para futuros estudos e pesquisas que possam vir a ser realizados neste país.

 

– Realizar pesquisa bibliográfica nas Universidades de Paris e de Roma, visando a atualização das concepções teóricas e metodológicas utilizadas nas intervenções e dar fundamentação às argumentações desenvolvidas no projeto.

 

2.Plano de trabalho

 

O trajeto a ser percorrido, do sul para o norte da China, será previamente planejado e utilizaremos os instrumentos (vídeo, fotografia, gravação de entrevistas, observação participante, escrita implicada) de acordo com as circunstâncias e possibilidades.

No sul, as comunidades que nos interessam estudar são aquelas que vivem em pequenas vilas e preservam seus modos de viver e fazer. Entre as comunidades que se adéquam a este perfil e pretendemos pesquisar encontram-se algumas descendentes da etnia Han (majoritária) e outras de etnias minoritárias. Entre as minoritárias estão os Zhuang, que se situam nas regiões do Guangxi. Pensamos documentar aspectos de sua cultura, tal como, o ato de cantar enquanto plantam. Na região do Guangxi, e nas províncias de Guangdong e Yunnan encontram-se descendentes da etnia Miao, que é uma das mais antigas do país. Estes descendentes possuem casas tradicionais. Escolheremos algumas destas comunidades, a partir de um prévio contato e da aceitação por parte dos sujeitos envolvidos em participar da pesquisa.

 

Entre os eventos que nos interessa estudar encontram-se: A Festa de Ano Novo (data flexível), a Festa das Lanternas (15 de Janeiro), a Festa da Primavera (9 de fevereiro), o Dia de Qinhming (5 de abril), a Festa do Barco Dragão (5 de maio), a Festa da Lua (5 de agosto).

Há outros lugares interessantes que poderemos vir a visitar por sua história e cultura. Entre eles encontram-se Lhasa, Shenzen e Xian. A ilha de Hainan chama nossa atenção pelo contraste, de um lado, um símbolo de vitalidade econômica; por outro, os moradores nativos são pobres e temem por seu futuro.

 

Entre as grandes cidades, escolhemos pesquisar Shangai e Pequim. Esta última situa-se no norte e nos interessa estudar devido aos seus lugares históricos (a Cidade Proibida, a Grande Muralha da China, o Templo do Céu, o Templo do Sol, o Templo de Confúcio, a Praça da Paz Celestial); à sua contemporaneidade, contrastando com a antiguidade; por sua importância científico-cultural. Realizaremos estudos na Universidade de Pequim e na Universidade de Shanghai.

 

Shangai situa-se a leste e é a maior cidade chinesa. É o cartão postal da nova economia de mercado. Entre os principais eventos ali celebrados que pretendemos documentar estão: Feira do Templo Longhua (budista), Festa do Ano Novo Lunar, Festa da Flor de Pessegueiro, Festa do Jasmin Flagrante, Festival Internacional do Chá, Festa da Laranja. Shanghai também apresenta interesse para nosso estudo devido à sua contemporaneidade, em contraste com sua antiguidade e por sua importância científico-cultural.

 

3.Histórico dos projetos realizados

 

Vimos desenvolvendo pesquisas com as metodologias da pesquisa-ação, do vídeo e do teatro antropológicos desde a década de 80. Neste período, as pesquisas foram realizadas em instituições de Saúde Mental do Rio de Janeiro ¬(Instituto de Psiquiatria da UFRJ; Hospital Pinel – atual IPP; Colônia Juliano Moreira).

 

Em 1987, assinamos acordo científico-cultural entre o Instituto de Psiquiatria da UFRJ (cujo Diretor era o Prof. Raffaele Infante e eu atuava como co-coordenadora dos convênios internacionais e como pesquisadora) e o Centro Teatro Ateneo da Universitá di Roma “La Sapienza” (coordenado pelo Prof. Ferruccio Marotti) e desenvolvemos o projeto “Tecnologia Áudio-visual como instrumento de análise e auto-análise de grupos comunitários”, com o apoio do CNPQ – BR e do CNR- Itália. Este projeto, desenvolvido a partir da década de 90, propiciou o desenvolvimento de pesquisas em comunidades do Rio de Janeiro (Chapéu Mangueira, D. Marta e outras).

 

O contato com a Université de Paris VIII iniciou na década de 80 quando René Lourau, professor desta universidade ministrou Curso de Análise Institucional no Instituto de Psicologia da UFRJ. Em 2006, vimos a realizar intercâmbio com o Laboratoire Experice, da Université de Paris VIII, através do Prof. Remi Hess, com o qual desenvolvemos trabalhos conjuntos, participamos em reuniões e palestras, no Rio de Janeiro e em Paris.

 

3.1.Pesquisa-ação na comunidade do Vidigal – Rio de Janeiro.

 

Durante o período de 1993 a 1997, realizamos pesquisa que resultou em Tese de Doutoramento intitulada “Formas Expressivas e Discursos de uma Comunidade Urbana do Rio de Janeiro: um uso do Teatro e do Vídeo Antropológicos”, defendida no Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Contamos com bolsa da CAPES e do CNPq. O trabalho de campo foi realizado na comunidade do Vidigal, Rio de Janeiro. Trabalhamos com as metodologias da pesquisa-ação e do vídeo antropológico.

 

O estudo foi efetuado a partir de um determinado recorte das formas expressivas e dos discursos encontrados nesta comunidade. Interessou-nos pesquisar se os discursos deste lugar aproximam-se daqueles relativos às sociedades tradicionais ou dos que freqüentemente são produzidos nas sociedades inseridas nos processos de globalização.

 

A comunidade do Vidigal está atravessada por ambas as influências: tradicionais e contemporâneas. Mas em sociedades que estão fortemente inseridas nos processos globalizadores, a mídia desempenha um papel de homogeneização das mentalidades.

 

A metodologia do vídeo antropológico tem como proposta a busca da espontaneidade. Esta metodologia pretende inventar novos tipos de relações entre os indivíduos e as coletividades. O vídeo antropológico busca uma integração dialética e de, a partir do distanciamento e “espelhamento” possibilitados por esta tecnologia, chegar a uma nova visão de si e de sua relação com o meio, a um auto-conhecimento e a uma auto-análise das formas expressivas e comportamentos psicossociais existentes.

 

No Vidigal a função do vídeo antropológico ficou identificada com a da televisão e os discursos produzidos assemelham-se àqueles apresentados pela mídia e pela política partidária.

 

3.2.Pesquisa-ação na comunidade da Rasa.

 

Em 2001, iniciamos pesquisa na comunidade da Rasa, Município de Armação de Búzios, com o apoio da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). Nesta época, obtivemos bolsa de fixação de pesquisador e a pesquisa era vinculada à Escola de Comunicação da UFRJ. Em 2005, obtivemos bolsa de bancada e o projeto passou a vincular-se à Universidade Veiga de Almeida, Rio de Janeiro. O atual projeto intitula-se “Subjetividade, Diversidade Cultural e Desenvolvimento Humano e Social”.

 

A comunidade pesquisada, localizada na região da Rasa, é descendente de um Quilombo. Ao iniciarmos a pesquisa, os moradores desta região encontravam-se excluídos da vida social, cultural e econômica existentes no município, em processo de desintegração da sua cultura e da sua história, em estado de isolamento uns dos outros e dos grupos sociais existentes.

 

A partir dos processos deflagrados pela pesquisa, novos movimentos passaram a instituir-se: dos membros da comunidade entre si, destes com diferentes grupos locais, nacionais e internacionais; criaram-se novos espaços para a divulgação e reflexão sobre questões relativas à comunidade alvo. As relações de poder existentes passaram a modificar-se, abrindo campo para lideranças comunitárias nas deliberações políticas locais. Iniciou-se um processo de transformação do lugar de exclusão e isolamento em que se encontravam.

 

No momento, estamos repensando as fases anteriores da pesquisa e delimitando as novas etapas. O projeto desenvolveu-se em processo de auto-gestão com a comunidade e resultou em duas propostas que estão em andamento: a criação de um circuito turístico histórico-antropológico-ecológico e a criação de um centro cultural. Ambos serão geridos pelas lideranças comunitárias.

 

Na comunidade da Rasa, a metodologia do vídeo antropológico atendeu a seus objetivos de busca da espontaneidade e da criação de novos tipos de relações entre os indivíduos e as coletividades. O vídeo antropológico, por possibilitar o distanciamento e o “espelhamento”, permitiu aos sujeitos da pesquisa uma nova visão de si e de sua relação com o meio.

 

Mas, na Rasa, talvez por ser uma comunidade descendente de escravos africanos, os resultados obtidos de integração grupal e de auto-gestão ficaram condicionados à presença da equipe de pesquisadores e de especialistas convidados. Quando estávamos presentes, a criatividade e a originalidade nas propostas eram a tônica. Mas quando nos ausentávamos, eles não conseguiam reunir-se e dar continuidade aos projetos formulados conjuntamente: a criação de um circuito turístico histórico-antropológico-ecológico e a criação de um centro cultural. Estes projetos encontram-se em andamento. Estamos debatendo com a Prefeitura de Armação dos Búzios sobre a implantação do centro cultural nesta comunidade.

 

Se, por um lado, as propostas advindas do processo de auto-gestão necessitam da presença dos pesquisadores para sua continuidade, por outro, entre os resultados obtidos, observou-se que: houve sujeitos que transformaram-se a nível individual; alguns desenvolveram-se como líderes da comunidade; outros foram cursar nível superior; um dos líderes passou a ensinar seu ofício (artesanato em madeira) para seus companheiros e formou um grupo de artesãos que vivem de seu ofício; alguns pequenos produtores rurais reuniram-se e criaram uma feira de produtos horti-fruti que ocorre semanalmente.

 

Entendemos que, no atual estágio desta pesquisa-ação, houve transformações a nível individual, nas relações entre a comunidade da Rasa e a cidade de Búzios e em determinado grupos. Para a realização das propostas do circuito turístico e do centro cultural, faz-se necessária a integração dos esforços da comunidade, da equipe de pesquisadores, da sociedade civil e do poder público.

 

4.Concepções teóricas

 

Nossa proposta de intervenção na comunidade é atravessada por diversas abordagens. Trabalhamos com a metodologia da pesquisa-ação, mas esta é desenvolvida de um modo particular, devido à nossa formação que é perpassada pela psicologia social, pela análise institucional, pela psicanálise e outras disciplinas. A forma de intervenção que desenvolvemos junto à comunidade segue os trâmites da pesquisa-ação, mas a escuta, a direção do trabalho, a relação pesquisador / sujeito pesquisado apresentam-se segundo uma perspectiva inter-disciplinar.

 

Em nossas pesquisas, entendemos a pesquisa-ação como uma metodologia que busca a produção de novas formas de conhecimento social e de relacionamento entre pesquisadores e pesquisados e de novas articulações destes com o saber.

 

Buscamos auxiliar no fortalecimento do sentimento de pertinência, de participação social, na ampliação dos laços comunitários, no estímulo à inserção do sujeito em inter-relações com diversas redes sociais, na elaboração e na criação de novas construções singulares e coletivas. Desenvolve-se a partir de uma problemática não só instrumental, mas que pressupõe uma visão crítica da realidade e que possibilite a criação coletiva dos resultados.

 

As formulações teóricas a respeito desta metodologia baseiam-se nos preceitos utilizados por autores brasileiros e latino-americanos, entre eles Thiolent (1987) e Montero (2000).

 

Quando falamos em comunidade, abordamos este conceito tal como Vidal (2007) que a compreende como uma motivação positiva de sociabilidade, incluindo desfrute mútuo, cooperação, identidade coletiva e individual interconectada. A comunidade é pensada por este autor como um tecido social onde haja vinculação, interdependência, reciprocidade, confiança mútua, compartilhamento, comunicação e diálogo.

 

A metodologia da pesquisa-ação busca favorecer os processos de auto-gestão e de feedback. Remi Hess, professor da Universidade de Paris 8, em seu “ Cours D’Analyse Institutionnelle”(2006), diz que tanto na pesquisa-ação, quanto na Análise Institucional, é pela participação comum a todos os participantes do processo que encontramos o caminho do conhecimento.

 

Este processo de pesquisa se inscreve em uma relação direta com a ação e com o processo de conhecimento e de mudança. Este autor entende que a análise, a reflexão permanente, o esforço de conscientização das estruturas visam a mudança, no sentido de uma maior emancipação, de uma maior responsabilidade dos autores e no sentido da auto-gestão. Os objetivos da pesquisa são os elementos constitutivos desta, busca-se fazer do processo da pesquisa um objetivo da pesquisa em si mesmo.

 

O Prof. Remi Hess, ao debater sobre a pesquisa realizada na comunidade da Rasa e apresentada no Colloque d’Analyse Institutionnelle da Université de Paris 8, em 2006, comentou sobre os vários níveis de ação e de análise do projeto que se atravessam e que apontam para diversos caminhos teórico/práticos interdisciplinares. Salientou a importância das novas tecnologias da imagem que são utilizadas em pesquisas como esta e falou em repensar a sociologia da intervenção a partir das atuais experiências.

 

A profª Luccette Colin, apontou a importância de uma pesquisa que desenvolve, ao mesmo tempo, um enfoque político e subjetivo; que trabalha a questão da cidadania e também da identidade. “Há um dimensão política e uma forma de intervenção que funciona como um mediador social que permite que a fala destas pessoas faça parte do discurso da comunidade. O pesquisador atua como um interventor que permite a intermediação de um ato de reconhecimento e a inscrição da palavra do homem, que até então não tinha escritura sobre o espaço público.”

 

Temos realizado intercâmbio com os professores Sidi Askofaré e Marie-Jean Sauret, do Laboratório Recherches Cliniques em Psychanalyse et Psychopathologie de l’Université de Toulouse Le Mirail – França e debatido sobre a questão da transferência e da contra-transferência na relação pesquisador / sujeito pesquisado. Interessa-nos entender quais são os limites da atuação do pesquisador, qual sua implicação no processo da pesquisa.

 

Um dos instrumentos utilizados para a transformação dos modos de subjetivação encontrados nesta comunidade é o vídeo antropológico. A questão da visibilidade dos diversos elementos que compõem a realidade destas populações é de suma importância. O vídeo utilizado como fator de intermediação da equipe com a comunidade e desta com as diferentes instancias sociais, contribui decisivamente para a visibilidade e a interlocução entre os segmentos existentes.

 

Em nossos estudos, buscamos entender os processos ocorridos no desenvolvimento da pesquisa e as contribuições do vídeo neste percurso. A psicanálise é uma das disciplinas que contribui para o estudo deste tema. Paola Miele, professora da School of Visual Arts de New York, com quem vimos realizando intercâmbio, comentou em uma entrevista a nós concedida nesta universidade sobre as possibilidades que o ato de ver e ser visto, proporcionado pela metodologia do vídeo antropológico, podem trazer à constituição da subjetividade dos sujeitos da pesquisa:

 

“Ver-se no vídeo implica em uma relação tridimensional do corpo no espaço e inscreve-se no interior de um colocar-se sob o olhar do outro. A câmera funciona como um outro. Sua própria imagem não é binária, mas trinária, na relação com o outro. O sujeito se confronta com sua própria imagem a partir do vídeo. Isso pode dar como efeito permitir ao sujeito reconhecer a si e ao outro. A chave é se reconhecer no meio social, inscrever-se num espaço simbólico. Este processo ajuda um sujeito a se reconhecer como pertencendo a uma comunidade, a apreciar sua própria singularidade e sua história. Podemos levantar a hipótese de que há uma dimensão de testemunho que se coloca em causa. Sentir-se no interior do grupo, perceber-se de seu pertencimento, de que não é um sujeito isolado. “

 

O olhar e a voz são constituintes do sujeito, o ver-se através do vídeo, pode permitir a reelaboração das identificações, que encontravam-se “coladas” ao discurso do outro, possibilitando assim formular novas significações.
No presente estudo, cujo trabalho de campo será realizado na China, iremos averiguar os efeitos do vídeo nos sujeitos implicados na pesquisa e analisar comparativamente os discursos encontrados com aqueles produzidos nas comunidades estudadas no Brasil.

 

5.Metodologia

 

O trabalho de campo será realizado na China, durante os meses de fevereiro a maio de 2011. A metodologia utilizada será a qualitativa. O material coletado será debatido com os orientadores: Profs. Hemi Hess (Université de Paris VIII) e Ferruccio Marotti (Universitá di Roma).

Trabalharemos com as metodologias da pesquisa-ação, da escrita implicada e do vídeo antropológico. Ao nos defrontarmos com situações propícias, aplicaremos questionário com questões abertas, pertinentes ao tema deste estudo.

 

5.1Pesquisa Bibliográfica

 

Realizaremos atualização bibliográfica de fontes primárias e secundárias em bibliotecas das Universidades de Pequim, Shanghai, Paris e Roma em áreas afins ao plano de estudo.

 

5.2Pesquisa-ação

 

Todo o processo perpassado pelo plano de trabalho será atravessado pela metodologia da pesquisa-ação. Do ponto de vista científico, a pesquisa-ação é uma proposta metodológica e técnica que oferece subsídios para organizar a pesquisa social aplicada sem os excessos da postura convencional ao nível da observação, processamento de dados, experimentação etc. Com ela se introduz uma maior flexibilidade na concepção e na aplicação dos meios de investigação concreta.

A pesquisa-ação é uma estratégia de pesquisa agregando vários métodos ou técnicas de pesquisa social, com os quais se estabelece uma estrutura coletiva, participativa e ativa ao nível da captação de informação.
Para Thiolent, a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.

Esta metodologia será desenvolvida incluindo diferentes técnicas: entrevistas , vídeo, observação participante, jornal de pesquisa.
Segundo a perspectiva institucionalista, o pesquisador, na pesquisa-ação, precisa levar em conta a sua implicação. Ele está implicado, assim como todos os atores sociais envolvidos na intervenção. Toda a dinâmica da atividade de conhecimento, toda a práxis científica são atravessadas pelo engajamento pessoal e coletivo do pesquisador.

 

5.3Escrita Implicada

 

O trabalho de campo será relatado de acordo com o método da escrita implicada, tal como é abordado por Remi Hess e outros autores institucionalistas. A pesquisadora irá relatar as experiências vividas através do diário de pesquisa. No entender destes autores, o diário de pesquisa já é pesquisa.

Para Remi Hess (2005), “escrever sempre teve importância decisiva na prática da análise institucional”. Este autor utiliza o que chama de “diário de bordo” capta, no dia a dia, as percepções, as experiências vividas, os diálogos e as sobras do concebido que emergem. A técnica do diário foi escolhida para ilustrar a implicação da escrita.O diário de pesquisa é um mediador entre o sujeito e a escrita. O objeto do diário pode ser um pensamento, um sentimento, uma emoção, a narração de um evento, de uma conversa, de uma leitura, etc. Ele entende que “do ponto de vista da análise institucional, a prática do diário aparece como uma ferramenta particularmente adaptada para articular a exploração das relações entre o campo de intervenção e de análise.

 

5.4Vídeo Antropológico

 

Em nossas pesquisas, o vídeo ocupa um lugar ampliado; não se trata somente de uma técnica, mas de uma estratégia que têm seus efeitos nos resultados encontrados.O método do vídeo antropológico pressupõe o registro e a projeção do registro em vídeo para os sujeitos que participam deste processo e inclui debates , após a projeção , atuando em processo de contínuo feed-back..

 

O objetivo deste método é o de possibilitar uma integração dialética e de, a partir do distanciamento e “espelhamento“ possibilitados por esta tecnologia , chegar a uma nova visão de si e de sua relação com o meio , a um auto-conhecimento e a uma auto-análise das formas expressivas e comportamentos psicossociais existentes e a uma visão crítica da realidade .

 

No atual projeto, o vídeo será utilizado no registro de aspectos considerados significativos à pesquisa (rituais, festas, situações particulares de uma dada cultura…) e em entrevistas com especialistas e sujeitos que vivem nas diferentes cidades chinesas. A metodologia de vídeo antropológico não será realizada, neste projeto, do modo tradicional, onde é necessário um longo tempo de relacionamento com as populações estudadas.

 

Analisaremos alguns aspectos comuns e outros particulares encontrados neste modo de intervenção. Em determinados momentos de nosso trabalho de campo, poderemos apresentar vídeos produzidos por comunidades do Brasil.
Todo material produzido fará parte da análise dos resultados.

 

6.Forma de Análise dos Resultados

Dentre as diretrizes de análise dos resultados mais difundidas, destacamos as implementadas pela OPAS (Organización Panamericana de la Salud y Organización Mundial de la Salud, 1987; Hutchius et al., 1993), na década de 80. Já o desenvolvimento da abordagem participativa na pesquisa e prática de planejamento e gestão de programas sociais tem em Paulo Freire um precursor.

No entanto, trabalharemos com a perspectiva utilizada por Alípio Sanchez Vidal, desenvolvida no Manual de Psicologia Comunitária (2007), devido à maior identificação com a orientação proposta por este professor, ao fato de desenvolvermos intercâmbio e à possibilidade de podermos contar com sua colaboração no acompanhamento e avaliação das resultados do presente projeto.

 

Segundo este autor, a avaliação social visa organizar e racionalizar o processo de intervenção comunitária; é um ato metodológico e também uma interação entre sujeitos em um contexto social impregnado de interesses e poder. Este ponto de vista vai ao encontro do abordado pelos autores institucionalistas franceses ( Lourau, Lapassade, Remi Hess): a questão da implicação do pesquisador e dos atravessamentos das diversas esferas do poder nas relações sociais.

 

Em nossa proposta articularemos as seguintes formas de avaliação (citadas em Alípio Sanchez Vidal (2007):

1) análise prévia à investigação – o material bibliográfico sobre aspectos teóricos e metodológicos produzido a partir das experiências que vimos desenvolvendo há alguns anos, será comparado com os resultados da pesquisa na China;

2) avaliação formativa – buscaremos aprofundar questões e averiguar a realização das propostas;

3) avaliação do impacto dos resultados e efeitos da intervenção – este aspecto tem sido pesquisado por nós em nossos trabalhos e será uma preocupação central neste estudo;

4) acompanhamento do projeto visando verificar a adequação aos objetivos iniciais – será desenvolvido o acompanhamento durante todo o processo da pesquisa. 5) avaliação da avaliação – usando os dados obtidos na avaliação como material de novas análises. Este enfoque de avaliar, reavaliar, criar novas propostas e tornar a avaliar, em um movimento continuo é parte integrante de nossa proposta.

 

A avaliação social é uma parte integral do processo de intervenção social que o precede, o acompanha e o encerra. Para Vidal, a avaliação já é intervenção Realizaremos o acompanhamento de todo o processo através dos métodos da observação participante, da escrita implicada, do vídeo antropológico..

 

Em nossa análise dos resultados será levada em conta a produção bibliográfica do material escrito e áudio-visual produzido na pesquisa anterior, a pesquisa bibliográfica e áudio-visual realizada no atual estudo e o material obtido através de técnicas tais como: entrevistas, debates,etc.

 

7.Síntese da bibliografia de referência

 

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Yutang,Lin. A Importância de Viver. S.Paulo: Ed. Círculo do Livro. 1974.

_____________________________________________________________________ 8.Cronograma de execução do projeto
Mês Atividades
_____________________________________________________________________
2010 – apresentação e debate do projeto (via web), com os Profs. Remi Hess, da Université de Paris 8 e Ferruccio Marotti, da Universitá di Roma.
– pesquisa bibliográfica sobre teorias e metodologias que permeiam o projeto e sobre a China, local onde se desenvolverá o trabalho de campo. ______________________________________________________________________
Fevereiro e março de 2011 – início do trabalho de campo em pequenas vilas do sul da China.
______________________________________________________________________
Abril e maio de 2011 – trabalho de campo em grandes cidades da China (Shanghai e Pequim).
____________________________________________________________________
Junho de 2011 – ida a Paris. Reuniões com o Prof. Remi Hess e debate sobre a elaboração do projeto de pós-doutorado.
-apresentação de trabalho no Colloque d’Analyse Instittucionnelle, na Université de Paris VIII

Julho de 2011 – ida a Roma. Reuniões com o Prof. Ferruccio Marotti e debate sobre a elaboração do projeto de pós-doutorado.

Agosto de 2011 a maio de 2012- elaboração do relatório final do projeto de pós-doutorado.
– elaboração de artigo sobre o projeto para a Revue Les IrrAIductibles, da Université de Paris VIII .
– produção de vídeo com o material áudio visual registrado na China.
– elaboração de publicação, a partir do material produzido com a metodologia da escrita implicada. A publicação poderá contar com fotografias registradas no decorrer do trabalho de campo.
_____________________________________________________________________
Junho de 2012 – ida a Paris. Apresentação dos resultados do estudo na Universidade de Paris VIII.
– apresentação de artigo no Colloque d’Analyse Institutionnelle, Universitá de Paris 8.
– apresentação de vídeo na Universitá di Roma.

_______________________Resumo Cronograma_____________________________
Atividades Datas

02/11_03/11____04/11___05/11___06/11___07/11
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tr.campo sul China ____________
tr. campo grandes cidades ____________
reuniões orientador U. Paris ______
apresentação de trabalho ___
reuniões orientador U. Roma ______

08/11 a 05/12
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– elaboração do relatório final _________________________
-elaboração de artigo ______
– produção de vídeo __________________________
– elaboração de publicação __________________________

06/12 07/12
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– apresentação dos resultados Universidade de Paris VIII. _____
– apresentação de artigo no Col. d’Analyse Institutionnelle _____
– apresentação de vídeo na Universitá di Roma. _____
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Pesquisa-ação na saúde mental e na comunidade.

Carmen Rodrigues Tatsch

Resumo

Este artigo discute a questão da pesquisa-ação e suas inter-relações nas áreas de saúde mental e de psicologia comunitária. Desenvolvemos alguns enfoques teóricos e metodológicos que atravessam nossas intervenções e apresentamos as metodologias da pesquisa-ação, do vídeo antropológico e do teatro antropológico tal como as utilizamos em instituições de saúde mental e em comunidades do Rio de Janeiro, Brasil.

Palavras-chave: pesquisa-ação; saúde mental; comunidade.

 

Introdução

Há muitos anos vimos desenvolvendo pesquisas com as metodologias da pesquisa-ação, do vídeo antropológico e do teatro antropológico em instituições de saúde mental e em comunidades do Rio de Janeiro.

 

Trabalhamos com a hipótese de que as expressões singulares de cada cultura funcionam como um sistema informal de promoção de saúde e contribuem para a formação dos processos identificatórios com características particulares, em contraposição ao movimento massificatório dominante. Esta hipótese tem sido confirmada em anos de pesquisas cujo trabalho de campo é realizado em comunidades urbanas desfavorecidas sócio-economicamente. Em nosso entender, quando buscamos valorizar, dar visibilidade e dinamização a estas culturas estamos realizando promoção de saúde mental.

 

Entendemos promoção de saúde mental no sentido de um processo que afirme a vida, que busque a mudança, que esteja em permanente processo de instituir-se. Deleuze cita FOUCAULT (1988): “não se sabe do que o homem é capaz enquanto ser vivo, como conjunto de forças que resistem”.
Com vida, queremos dizer tudo aquilo que se opõe à morte, à imobilidade, à inércia. E para isso, é preciso mudar o próprio homem. O homem aprende a aprisionar a vida dentro de si. É necessário extrair forças dentro do próprio homem para haver uma vida mais ampla, mas afirmativa, mais rica em possibilidades

Pesquisa-ação – intervenção em instituições

 

Iniciamos as pesquisas com as metodologias da pesquisa-ação, do vídeo e do teatro antropológicos na década de 80. Estas foram realizadas em instituições de saúde mental do Rio de Janeiro ¬(Instituto de Psiquiatria da UFRJ; Hospital Pinel – atual IPP; Colônia Juliano Moreira); junto à comunidade acadêmica da UFRJ e às comunidades de favela e de asfalto da cidade do Rio de Janeiro.

 

Nas pesquisas em comunidades, interessa-nos o estudo das culturas regionais que preservaram seus rituais e formas próprias de expressão, mantendo assim seus valores, arte, identidade.

 

Em 2001 iniciamos pesquisa – ação junto à comunidade quilombola da Rasa, Município de Armação dos Búzios, Rio de Janeiro. Naquela ocasião, a pesquisa articulava-se à Escola de Comunicação, UFRJ. A partir de 2005, esta passou a vincular-se à Universidade Veiga de Almeida. Em ambas as fases, os projetos contaram com o apoio da FAPERJ.

 

Todo o processo da pesquisa é acompanhado pelo registro em vídeo e pela projeção do material áudio-visual para a comunidade, em um contínuo feed back. O método de vídeo antropológico baseia-se no cinema etnográfico, o qual possibilitou o uso da “câmara participante”. A pesquisa conta, nesta área, com a consultoria do Prof. Ferruccio Marotti, diretor do Centro Ateneo da Universidade de Roma.

 

Entre os resultados encontrados em nossa pesquisa, poderíamos dizer que houve um processo de “empoderamento” destes sujeitos. As relações de poder existentes passaram a modificar-se, abrindo campo para lideranças comunitárias nas deliberações políticas locais. Iniciou-se um processo de transformação do lugar de exclusão e isolamento em que se encontravam.

 

Podemos inter-relacionar estes processos com o conceito de empowerment, tal como o Prof. Alípio Sanchez Vidal, em seu Compêndio de Psicologia Comunitária, o desenvolve: empowerment é uma idéia emergente da Psicologia Comunitária e outros campos da política e da ação social. Implica, sobretudo, desfazer o foco da psicologia na saúde, para enfocar o poder sustentável, a análise e a mudança social y psicosocial. Há uma re-focalização psicológica no empowerment.. Os significados de empowerment mais usuais são : dar poder, autorizar ou capacitar, quer dizer,empoderar.

 

Vimos articulando um projeto de turismo histórico- antropológico- ecológico que congrega participantes de diversas formas associativas da região e visa criar um tipo de turismo que permita o desenvolvimento humano, social e econômico para esta população, de forma sustentável . O projeto oferece um contraponto ao movimento predatório existente, pois o enfoque na geração de renda se dará de forma a preservar a cultura, a história e o espaço da população local e a melhorar a qualidade de vida não só do ponto de vista econômico, mas também político e cultural.

 

Visando organizar este circuito temos realizado diversas visitas, acompanhadas por lideranças, a locais desta região que farão parte do percurso turístico. As visitas aos circuitos turísticos têm sido realizados com a presença de professores provenientes de diversas áreas acadêmicas, e participaram nos eventos realizados na Rasa, organizados pela equipe juntamente com lideranças da comunidade estudada. Contamos com a participação dos professores: Massimo Canevacci (Universitá di Roma), Carlos Lessa (UFRJ), Sidi Askofaré (Université de Toulouse), Alípio Sanchez Vidal ( Psicologia Comunitária (Universidad de Barcelona), Paola Mieli (School of Visual Arts, New York) e outros, que trouxeram interessantes contribuições ao projeto.

 

A partir destas visitas, veio a surgir, em processo de auto-gestão, a idéia da criação de um centro cultural onde as diversas associações da Rasa (artesãos, agricultores, costureiras, jardineiros…) virão a comercializar seus produtos.

 

Atualmente lideranças de diversas Associações (de Arte e Cultura, de Moradores, de Produtores Rurais, dos Quilombolas, do Fórum Inter-comunitário) estão realizando encontros, juntamente com a equipe de pesquisa, para tratar da criação do Centro Cultural da Rasa, a ser gerido por estas lideranças.

 

Esta é um momento de passagem de um percurso que terá diversos desdobramentos, que estão em fase de gestão. Através deste artigo esperamos multiplicar espaços de debate e reflexão.

 

Referências Bibliográficas

 

Alípio Sánchez Vidal. Manual de Psicologia Comunitária. Un enfoque integrado. Madrid: Ed. Pirâmide. 2007.
Boterf, Guy Le Pesquisa Participante: Propostas e reflexões metodológicas:.Brandão, C.R (Org) .Repensando a Pesquisa Participante. São Paulo: Ed. Brasiliense (3ª ed) 1987.
Deleuze, Giles. Foucault. S.Paulo,Ed. Brasiliense. 1988.
Hess, Remi. Colloque D’Analyse Instituttionnelle. Paris, Université de Paris 8. 2006.
Montero, Maritza. Construcción, desconstrucción y crítica: teoria y sentido de la psicologia social comunitária em América Latina. In: R.H.F.Campos & P.A.Guareschi (Orgs). Paradigmas em Psicologia Social. A perspectiva Latino-Americana. Petrópolis: Ed. Vozes (2ª ed.). 2000.
Negri, Antonio. Império. RJ: DP&A Ed., 2003.
Santos, Joel R. Épuras do Social. Como podem os intelectuais trabalhar para o social. S.Paulo, Ed. Global, 2004.
Tatsch, Carmen R O Teatro como Potencial para a Transformação. Dissertação de Mestrado em Psicologia – Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 1991
_________Tecnologia Audio-Visual e Formas de Subjetivação. Monografia.Universidade Federal do Rio de Janeiro. 1994
__________Formas Expressivas e Discursos de Uma Comunidade Urbana do Rio de Janeiro: Um Uso do Teatro e do Vídeo Antropológicos. Tese de Doutorado apresentada ao Programa em Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. 1997.
Thiollent, Michel. Notas para o debate sobre pesquisa-ação. In: C.A.Brandão (Org) Repensando a pesquisa participante.São Paulo: Ed. Brasiliense (3ª Ed.). 1987.

Autorización

Io, Drª Carrnen Rodrigues Tatsch, ID. 3131706, IFP, autorizo a las autoridades del III Congresso Argentino de Salud Mental y la Comission Directiva del de la Associación Argentina de Salud Mental a reproduzir em el formato que sea conveniente (editión em papel, em formato eletrônico o e-book, etc), el trabajo, comunicación libre, pôster, mesa redonda, etc. presenteado com el título “Pesquisa-ação na saúde mental e na comunidade”. Asimismo autorizo a los editores a vender la obra, consevandome los derechos para publicar mi articulo em forma total o parcial em otras publicaciones em el futuro.

Drª Carmen Rodrigues Tatsch

Pesquisa em uma comunidade quilombola do RJ: estudo sobre o lugar do sujeito e a função do olhar e da voz .

Carmen Rodrigues Tatsch

 

No primeiro semestre de 2016, quando vi o filme Menino 23, baseado na tese de doutorado de Sidney —, este causou-me impacto. Lembrei-me de uma pesquisa que realizei, entre os anos de 2003 a 2007? , em uma comunidade quilombola em Búzios, RJ.Resolvi escrever sobre o tema abordado por este filme, inter-relacionando-o com esta pesquisa.

 

Uma das questões suscitadas pelo filme foi a das relações entre as elites brasileiras e os descendentes de africanos que vieram escravizados para o Brasil. A história documentada no filme passa-se a partir dos anos de 1933, quando a família Rocha Miranda, protótipo de outras tantas, responsabiliza-se perante o Educandário Romão Duarte, situado na zona sul do Rio de Janeiro, pela criação de 50 meninos negros órfãos. Estas crianças são levadas para a Fazenda Cruzeiro do Sul, em São Paulo. pertencente a esta família Estes meninos, são tratados da mesma forma que seus antecedentes que foram escravizados. Eles trabalhavam de sol a sol, sem receber um tostão por isto, e sofriam punições e torturas .

 

Eles não eram chamados por seus nomes e sim pela numeração que lhes era dada, segundo a posição que ocupavam em relação à altura de cada um. Aloisio, chamado Menino 23, diz no documentário que foram escolhidos como quem compra gado e eram tratados como tal.

 

A historia destes meninos no filme é recortada por vídeos que relatam a ideologia nazifascista que predominava na época. O Brasil teve o segundo maior partido nazista do mundo e algumas pessoas da família citada eram membros deste partido. A eugenia era o paradigma de normalidade e a orientação do governo de Vargas era a melhoria da raça branca. . Segundo a concepção higienista, fundamentada na Eugenia, não era possível fazer uma grande nação com uma raça inferior, eivada pela mestiçagem, como eram os brasileiros.

 

A perspectiva higienista vem a ser questionada a partir do surgimento da psicanálise, que diz que há sujeitos, cada um com sua singularidade. A história, o lugar onde o sujeito vive e os laços que estabelece terão efeitos na constituição deste sujeito.

 

Quando, na década de 40, Getúlio Vargas rompe seus laços com a Alemanha e se associa aos EUA, o envolvimento com o partido nazista passa a ser mal visto e todos os documentos e símbolos, tais como a suástica, inscrita no lombo dos animais e nos tijolos das construções, são eliminados. Os meninos, agora adolescentes, são soltos na rua e ficam ser ter para onde ir. Este fato retrata o destino de tantos outros sujeitos descendentes de africanos que com o fim da escravatura ficam sem lugar na sociedade.
Ao lembrarmos nosso passado, impregnado pela ideologia nazifascista, podemos entender melhor as relações existentes entre as elites brasileiras e as populações advindas das classes populares.

 

O historiador José Rufino dos Santos apresentou, em encontro realizado em 1997, no CREMERJ, alguma teses sobre o corpo negro que podem contribuir para nosso trabalho. Ele lança a tese que o corpo do negro funcionou, na América, como gerenciador de arquivo. Seu corpo, como lugar social, ocupou os espaços de despossessão, tortura, resistência. Segundo Rufino, o corpo negro é o buraco negro das ciências sociais no Brasil. Tudo o que se aproxima dele é tragado. Sua função é esquecer . É o delete que se deve temer.

 

Na pesquisa realizada junto à comunidade quilombola da Rasa, Búzios, percebemos que os moradores desta região encontravam-se excluídos da vida social, cultural e econômica reinantes no município, em processo de desintegração da sua cultura e da sua história, em estado de isolamento uns dos outros e dos grupos sociais existentes.

 

O trabalho de campo foi realizado entre os anos 2003 e 2005 e inicialmente foi vinculado à Escola de Comunicação da UFRJ. Sua realização foi possível graças à concessão, pela FAPERJ, de uma bolsa de pós-doutorado. Trabalhamos com a hipótese de que as expressões singulares de cada cultura funcionam como um sistema informal de promoção de saúde.
No início de nossa pesquisa, em 2003, encontramos uma situação próxima à descrita no documentário. A população da Rasa em sua maioria vivia isolada da Búzios que era atravessada por processos de internacionalização e cosmopolitismo. Eles não conseguiam emprego por não terem os requisitos exigidos ( conhecimento de línguas estrangeiras,da etiqueta utilizada pelas elites, saber servir à francesa…). Ir à praia da Rasa era considerado perigoso, pois lá só havia negros.

 

Nas primeiras etapas do trabalho de campo, ao pesquisar nos sites sobre Búzios a respeito de sua história, encontrei que; primeiro havia os índios, depois vieram os portugueses e em 1960, chegou Brigite Bardot. Nenhuma palavra sobre os negros que chegaram escravizados e colonizaram a região.
Podemos pensar aqui no lugar do corpo do negro tal como Rufino menciona, como algo que se deve esquecer, deletar. Os africanos que chegaram escravizados a esta região desempenharam um importante papel na constituição do que vieram a ser as cidades de Cabo Frio, de Búzios e outras. Mas não tinham lugar na história, nem na mídia. O espaço onde foram jogados, com o final da escravidão, pouco a pouco foram tomados pelos grilheiros.

 

A pesquisa desenvolveu-se levando em conta três eixos: – o vertical – a história da comunidade da Rasa (descendente de um Quilombo); – o horizontal – o espaço sócio-histórico-antropológico-ecológico onde esta se situa e – o transversal – as questões surgidas foram trabalhadas em eventos atravessados por diversas instâncias. Buscamos produzir movimentos que permitissem uma circulação do macro para o micro e vice-versa, ampliando assim os modos de ver e de agir; estimular a ampliação dos laços comunitários e a inserção do sujeito em inter-relações com diversas redes sociais e contribuir para a elaboração, a ressignificação e criação de novas construções singulares e coletivas.

 

Há alguns anos vínhamos trabalhando com as metodologias da pesquisa-ação e do vídeo antropológico buscando favorecer os processos de auto-gestão e de feedback. Nesta comunidade a questão da visibilidade era especialmente significativa. O vídeo utilizado como fator de intermediação da equipe com a comunidade e desta com as diferentes instancias sociais, contribuiu decisivamente para a visibilidade e a interlocução entre os segmentos existentes.

 

A partir dos processos deflagrados pela pesquisa, novos movimentos passaram a instituir-se: dos sujeitos entre si e destes com diferentes grupos locais, nacionais e internacionais; criaram-se novos espaços para a divulgação e reflexão sobre questões relativas à comunidade alvo. As relações de poder existentes passaram a modificar-se, abrindo campo para lideranças comunitárias nas deliberações políticas locais. Iniciou-se um processo de transformação do lugar de exclusão e isolamento em que se encontravam.

 

O artesão Lelei, que vivia recluso em seu trabalho de talha em madeira, passou a dar aulas, vindo a constituir um grupo que passou a expor seus trabalhos de artesanato e a viver de seu ofício. Ele desenvolveu um lugar de liderança na comunidade e participou ativamente na criação do Circuito turístico- histórico- ecológico-cultural da Rasa e da gestação de um centro cultural onde as diversas associações da Rasa (artesãos, agricultores, costureiras, jardineiros…) viessem a comercializar seus produtos.
Carlinhos, um cadeirante que passou a fazer parte do grupo de artesãos, desenvolveu a capacidade de expor com clareza as ideias do projeto e passou a ocupar um lugar de palestrante nas palestras e outros eventos.
Diversos sujeitos começaram a estudar na universidade e outros vieram a ocupar um lugar na política partidária desta cidade.

 

Entre os diferentes enfoques metodológicos utilizados nesta pesquisa, foram enfatizadas as questões do olhar e ser olhado e a de dar voz a estes sujeitos que não tinham lugar naquela sociedade.

 

A psicanálise aborda a questão do olhar. Lacan desenvolve a idéia de que entre o indivíduo e o mundo estabelece-se uma primeira relação através do olhar. O mundo, enquanto estrutura simbólica, pré-existe ao indivíduo. Ao nascer, o indivíduo é inserido através do olhar neste mundo. Ao indivíduo que olha pré-existe um olhar, o olhar do mundo.”Eu só vejo de um ponto, mas em minha existência sou olhado de toda parte”.

 

Somente na relação do indivíduo a um outro, o olhar pode adquirir sua função de constituinte do sujeito. O olhar está do lado de fora “sou olhado, quer dizer, sou um quadro”. O primeiro símbolo que o ser humano alcança é a imagem, a forma de seu corpo na qual ele se precipita.

 

É a partir do estádio do espelho que se presentificará o enlaçamento dos três registros: Real, Simbólico e Imaginário. É com esta estrutura que o ser humano pode ter a ilusão de unidade frente à vivência de fragmentação do corpo , participar de relações sociais e inserir-se na cultura.
O estádio do espelho é fundamental na questão da identificação. Este estádio dá a compreender a divisão do sujeito desde seu surgimento . Dá a entender que a relação consigo passa por uma relação com o outro . O sujeito não é anterior a este mundo de formas que fascinam : ele se constitui nelas e por elas. O exterior não está fora , mas no interior do sujeito , o outro está nele.

 

Este estádio é um drama que maquina os fantasmas que se sucedem de uma imagem fragmentada do corpo à uma forma ortopédica de sua totalidade. As intenções agressivas surgem a partir da função formadora das imagens no sujeito – são as imagos do corpo fragmentado.“ A agressividade é a tendência correlativa de um modo de identificação que chamamos narcisista e que determina a estrutura formal do eu do homem e o registro de entidades característico de seu mundo. ”(Lacan, 1948, pg 73). Os instintos de destruição, de morte, têm relação com a libido narcísica e com a função alienante do eu, com a agressividade que se distingue em toda relação ao outro, mesmo aquelas que aparecem sob a forma de ajuda samaritana. Para Lacan, todo sentimento altruísta advém da agressividade, que sustenta a ação do filantropo, do idealista, do pedagogo e do reformador.

 

Buscando entender as contribuições do vídeo no percurso deste trabalho, entrevistamos Paola Miele, professora da School of Visual Arts de New York, que comentou sobre as possibilidades que o ato de ver e ser visto, proporcionado pela metodologia do vídeo antropológico, podem trazer à constituição da subjetividade dos sujeitos da pesquisa:

 

“Ver-se no vídeo implica em uma relação tridimensional do corpo no espaço e inscreve-se no interior de um colocar-se sob o olhar do outro. A câmera funciona como um outro. Sua própria imagem não é binária, mas trinária, na relação com o outro. O sujeito se confronta com sua própria imagem a partir do vídeo. Isso pode dar como efeito permitir ao sujeito reconhecer a si e ao outro. A chave é se reconhecer no meio social, inscrever-se num espaço simbólico. Este processo ajuda um sujeito a se reconhecer como pertencendo a uma comunidade, a apreciar sua própria singularidade e sua história. Podemos levantar a hipótese de que há uma dimensão de testemunho que se coloca em causa. Sentir-se no interior do grupo, perceber-se de seu pertencimento, de que não é um sujeito isolado.“
Outra questão trabalhada nesta pesquisa foi a da escuta. Estes sujeitos não tinham escuta, sua voz era apagada, deletada, como diz Rufino . A metodologia utilizada permitiu que a partir dos movimentos propiciados por entrevistas com o vídeo e projeção destas em palestras, debates,e outros eventos eles pudessem escutar-se uns aos outros e fazer conhecer suas ideias, sua história, seu desejo.

 

Para Jean-Michel Vives, Lacan propôs uma nova dialética das pulsões, ao conferir à invocação, como ao olhar, o estatuto de pulsão. A voz que vem do outro é a manifestação de seu desejo. Igualmente, é o desejo que se tem dele, o que leva Lacan (1965-66) a afirmar que o objeto a é diretamente implicado quando se trata da voz e isso no nível do desejo. Se o desejo funda-se como desejo do Outro, esse desejo enquanto tal manifesta-se no nível da voz. A voz não apenas o objeto causal, mas o instrumento pelo qual se manifesta o desejo do Outro. O termo é perfeitamente coerente, constituindo, se posso dizê-lo, o ápice em relação aos dois sentidos da demanda, seja ao Outro, seja vinda do Outro.

 

O infans nas origens de sua existência, sob o efeito de uma tensão endógena impossível de ser gerida, devido ao seu desamparo, lança um grito. O grito do recém-nascido não é, inicialmente, um apelo, sendo somente a expressão vocal de um sofrimento. Somente tornar-se-á apelo, pela resposta da voz do Outro, onde sinaliza seu desejo: “que queres tu que eu te queira?”. O sujeito é aqui chamado a ser.

 

O circuito da pulsão comporta assim dois tempos:

a) Ao grito do infans, o Outro responde, chamando-o a advir como sujeito
solicitando dele: “Torna-te!”

b) A partir daí, o infans não terá mais acesso diretamente à materialidade vocal que ficará, no melhor dos casos, velada pelo processo de significação. A busca da voz como objeto pode então acontecer. O infans, ao perder voz como objeto que se torna invocante, entabula seu processo de subjetivação e impulsiona seu percurso desejante: “Retorna!”

 

O infans, para advir como falante, deverá poder tornar-se surdo ao timbre primordial para falar sem saber o que diz, isto é, como sujeito do inconsciente. Para tornar-se falante, o sujeito deve adquirir uma surdez a este outro que é o real do som musical da voz. Do mesmo modo que um ponto cego estrutura a visão, a aquisição de um ponto surdo – constituído pelo recalcamento originário – é necessário para ser possível ouvir e falar. Vivés levanta a hipótese de que essa surdez estrutural é aquilo pelo qual somos protegidos da alucinação auditiva. O sujeito que era invocado pelo som originário, tornar-se-á, pela palavra, invocante. Nessa reviravolta de situação, o sujeito conquistará sua própria voz.Assim, a operação do recalcamento originário permite à voz permanecer em seu lugar, isto é, num primeiro tempo inaudível e depois inaudita. Aqui se enlaça, na sua dimensão subjetivante, a pulsão invocante da qual Lacan (1964, p.96), pode afirmar que ela era “a mais próxima da experiência do inconsciente” .

 

Para Miller, os objetos ditos a só podem se afinar com o sujeito do significante se perderem toda substancialidade, se estiverem centrados por um vazio que é a castração.

 

Lacan tomou a função da fala no campo da linguagem como ponto de partida para entender a experiência psicanalítica. Eu diria que a instância da voz merece inscrever-se como um terceiro entre a função da fala e o campo da linguagem. Neste sentido, a voz, no uso muito especial que Lacan faz desse termo, é sem dúvida uma função do significante –ou melhor, da cadeia significante como tal. “Como tal” implica que não é somente a cadeia significante como falada ou entendida, também pode muito bem ser enquanto lida e escrita. O ponto crucial dessa voz é que a produção de uma cadeia significante – eu lhes digo nos termos mesmos de Lacan – não está ligada a este ou aquele órgão dos sentidos, a este ou aquele registro sensorial.

 

A voz é uma dimensão de qualquer cadeia significante, na medida em que qualquer cadeia significante – sonora, escrita, visual, etc. – comporta uma atribuição subjetiva, ou seja, designa um lugar para o sujeito.

 

A profª Luccette Colin, da área de Análise institucional, da Universidade Paris 8, comentou sobre a pesquisa: “Há um dimensão política e uma forma de intervenção que funciona como um mediador social que permite que a fala destas pessoas faça parte do discurso da comunidade. O pesquisador atua como um interventor que permite a intermediação de um ato de reconhecimento e a inscrição da palavra do homem, que até então não tinha escritura sobre o espaço público.”

 

Referências Bibliográficas

LACAN,J.(1965-66). Le Séminaire Livre XIII, L’objet de la psychanalyse. (inédit).
_________( 1949).Le stade du miroir comme formateur de la fonction du Je.Comunicação realizada no XVI Congresso Internacional de Psicanálise.Zurich.
_______(1985). Do olhar como objeto a minúsculo. In: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro : Ed. Zahar .
MILLER J.A. “Jacques Lacan et la voix”. In: La voix. Paris: La Lysimaque, 1989, tradução Opção Lacaniana Online, Ano 4 • Número 11 • julho 2013 • ISSN 2177-2673
Tatsch, C.R. Formas expressivas e discursos de uma comunidade urbana do Rio de Janeiro : um uso do teatro e do vídeo antropológicos ,tese de doutorado, IP, UFRJ
________Projeto de Pesquisa Subjetividade, Cultura e Desenvolvimento Social. Relatório científico. ECO UFRJ. FAPERJ. 2005
———- Projeto: Direito ao Trabalho e Desenvolvimento Humano e Social.Relatório de pesquisa.FAPERJ.2007.
Vives,Jean-Michel”Pulsão invocante e os destinos da voz”, Tradução: Francisco R. de Farias, Revisão: Denise Maurano, Psicanálise & Barroco em revista v.7, n.1: 186-202, jul.2009.