
Dia 17 de maio comemorei mais um ano de vida. Foi uma celebração pelo Skipe. Achei interessante reunir os amigos em uma roda de conversa e realizar uma apresentação de arte online.
Nestes tempos sombrios, a arte mais que nunca tem uma forte contribuição a dar. Desde o início, o homem se fez homem ao mesmo tempo em que se descobria como criador.
A Roda de Conversa habitualmente lida com temas recortados em jornais e redes, tais como: processos de re-existência, de reinventar; ou, o antídoto da dor é a alegria; ao ainda- quantas idades eu tenho? Quantas vezes nasci?
No Niver este espaço foi de acolhimento, afetividade entre os que skipeanamente chegavam. Muitas amizades levaram seu abraço e brindaram na hora do parabéns. Meu filho, netas, a família compareceram.
É a felicidade possível, num real que se apresenta lúgubre, incógnito.
O cultivo do amor, do lúdico, da vida em sua potência é fundamental em um momento como este. Nossa programação artística contou com a bela interpretação musical do mediador do encontro e parceiro de trabalho Fabio Nazareth, seguido por Júlio Mafra e Regina Guarilia, do projeto “Os Leitores”, que apresentou textos selecionados para a ocasião.
A programação seguiu e, diretamente de Buenos Aires, ouvimos um interessante poema interpretado pelo ator Federico Iglesias que precedeu a apresentação do bailarino e professor de Butoh, Gustavo Collini, que elaborou uma coreografia dedicada a este dia. O músico e professor da Escola Vox Mundi Hamilcar Barbosa fechou a programação com uma bela interpretação da música guarani.
Em tempos de isolamento, as ferramentas de comunicação digitais como Skype, Zoom, Whatsapp, são uma forma de reunir pessoas possibilitando maior troca afetiva e de idéias e criação de novas possibilidades de interação.
Meu pai, que era centro-esquerda, funcionava como um moderador. Quando todas as pessoas falavam ao mesmo tempo, ele pedia que ouvissem àquele que colocou a idéia em questão. Eu ficava um pouco assustada, tentando entender as argumentações de um lado e de outro, e procurava me colocar no lugar daquele que estava falando.
Algum tempo mais tarde, isto ficou mais claro para mim. O Jango havia sido empossado presidente do Brasil e havia um movimento para tirá-lo desse lugar. Brizola, seu cunhado, então governador do Rio Grande do Sul, conclamou os gaúchos para reunirem-se na praça para resistirem ao golpe militar que se anunciava. Meu pai e minha avó atenderam ao chamado do governador e se despediram de minha mãe, meus irmãos e de mim. Ele disse que não concordava com muitas coisas que Jango propagava. Mas defenderia até a morte o direito dele de dizê-las e o respeito ao voto dado nas urnas. Eu fiquei com muito medo, assim como minha mãe e meus irmãos, mas ninguém questionou a legitimidade dos atos de meu pai e minha avó.