Depressão hoje

Resolvi falar sobre o tema da depressão devido à vinda, em meu consultório, de muitas pessoas que se dizem deprimidas.   

Atualmente encontramos grande número de pessoas que recebem o diagnóstico de depressão. Esta muitas vezes é chamada “O mal do século”.  Será que em todos os casos assim classificados podemos realmente dar este diagnóstico?

Hoje em dia, muitas vezes encontramos pessoas que se sentem incapacitadas para encontrar uma maneira de lidar com as novas exigências da sociedade contemporânea. Há um individualismo e um narcisismo exacerbados, uma cobrança excessiva de adaptação às regras da cultura, a insegurança na confiança e continuidade das relações afetivas, o medo e o desamparo frente às novas situações e tantas outras razões que tornam difícil saber como se virar tudo isto.

Além disso, as pessoas passam por freqüentes perdas: de pessoas, de situações, do lugar que ocupavam no mundo. Dessa forma, se faz necessária a elaboração do luto destas perdas.  Algumas pessoas podem passar por estas perdas sentindo-se tristes por um período e superando este sentimento, realizando uma elaboração necessária e construtiva. Mas há pessoas que não conseguem ultrapassar estas situações e entram em depressão.

Outro fator importante a levar em conta quando falamos no aumento do número de pessoas diagnosticadas com depressão, relaciona-se com os novos medicamentos antidepressivos, que muitas vezes são utilizados em qualquer circunstância, incluindo o luto comum.

Precisamos saber que  nem toda manifestação de tristeza significa depressão. Muitas vezes, a pessoa, passado o tempo necessário à elaboração do luto pela perda sofrida, conseguirá superar este momento e reinvestir a libido em outros objetos.

O mal-estar é inerente à condição humana. A sensação de desprazer pode ser sentida a partir de três lugares que são observados como fonte de sofrimento. O primeiro relaciona-se com o próprio corpo, com suas vivências de dor, desamparo, fragilidade e angústia.  O segundo provém do mundo externo, que é ameaçador. E o terceiro, decorre das dificuldades encontradas nas relações com outros seres humanos.

Estas sensações experimentadas pelo corpo, o medo do novo, e a sensação de  vazio, podem levar a pessoa a ter inúmeras ações na busca de preencher isto. Estas ações podem ser notadas no uso das drogas, na ingestão de alimentos em excesso, na busca insaciável do sexo, nas relações afetivas superficiais que se multiplicam.  Isto pode leva à busca de gratificações nas possibilidades que o mundo moderno oferece.

Mas nada irá preencher este vazio, pois a depressão se relaciona com  o abandono da busca de seu desejo. A saída do estado depressivo aponta para a constituição do desejo, para a descoberta de novas identificações, para a busca de saber se virar com tudo isto e de encontrar a sensação de que ele é feliz em viver.