Saúde Mental

Resolvi conversar com você sobre este tema porque percebo que às vezes as pessoas não têm uma idéia muito clara sobre isto.

        A saúde mental é um termo utilizado, tanto para abordar algo que trata de todos os sujeitos e sua inserção na sociedade, quanto como uma  proposta que visa a promoção, a prevenção e o tratamento da saúde das pessoas que antigamente eram chamados doentes mentais, ou loucos.

       Um marco nessa mudança de visão em relação à loucura aconteceu 1978, quando em uma conferência internacional passou a conceituar-se a saúde como: um estado de completo bem- estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade.  

       Os profissionais passam então a trabalhar com promoção de saúde, visando atuar na melhoria da qualidade de vida e do bem-estar global.

    A saúde mental é uma parte integrante e essencial da saúde. Inclui a capacidade de um indivíduo de apreciar e administrar a própria vida; ser capaz de ser sujeito de suas próprias ações sem perder a noção de tempo e espaço. Busca o equilíbrio emocional entre as questões internas e as exigências ou vivências externas.

    Há um termo que habitualmente não aparece na bibliografia como associado à saúde mental. Trata-se de: liberdade. Passei a incluir a esta palavra após visitar o Serviço de Saúde Mental de Trieste, Itália. Lá estava escrito, em letras garrafais, num muro:  “A liberdade é terapêutica”. Entendi então que o exercício de tornar-se livre, num mundo que tende à massificação e à alienação é muito significativo. A orientação terapêutica deste lugar valoriza a inserção no trabalho, onde o sujeito possa produzir à medida da sua capacidade.

    A expressão através da arte também é um recurso extremamente valioso. Tem uma função na promoção dos laços sociais e como ponto de ancoragem do sujeito.

    Seja através da arte, do trabalho, ou de qualquer outro modo de produção, cada sujeito busca por um lugar de existência onde irá construir a si mesmo e a sua história.

Casais em conflito

 

CONFLITOS NAS RELAÇÕES AFETIVAS NA CONTEMPORANEIDADE

Escrevo hoje sobre o tema do conflito nas relações afetivas devido à grande procura, em meu consultório, de casais que estão encontrando dificuldades em lidar com seus parceiros.

Vivemos em um mundo que não favorece a aproximação entre as pessoas, nem a criação de vínculos duradouros. As condições de existência contemporâneas trazem uma série de desafios para os casais.

Os vínculos amorosos construídos são atravessados por uma incerteza sobre sua continuidade e nesse sentido, o casal precisa ter condições de administrar o modo contemporâneo de se vincular.

A satisfação e a estabilidade das  relações não estão associadas diretamente à ausência de conflitos, mas à forma com que os  parceiros estabelecem estratégias para solucioná-los.

Entre os motivos mais frequentes de desentendimento  está a relação com os filhos, o tempo que desfrutam juntos, o dinheiro, as tarefas domésticas, o sexo e as questões legais.

Os conflitos que surgem  têm um papel fundamental na saúde mental. O estresse  na relação aumenta a probabilidade dos indivíduos de desenvolverem problemas físicos de saúde e também apresentarem dificuldades de funcionamento no trabalho.

Mesmo após  a separação , algumas pessoas ainda ficam aprisionadas numa dinâmica de repetição das problemáticas vividas durante o tempo que estiveram juntos. .

É importante que estes  parceiros trabalhem sobre o processo de reestruturação subjetiva e de transformação dos laços, ultrapassando a perpetuação de um tipo de vínculo que aprisiona, por outro que liberta.

Numa relação amorosa estão reunidos três aspectos: o do sujeito, o do outro e o da relação entre eles. Para haver uma relação equilibrada, nenhum aspecto deve ter predominância sobre os demais.

Um bom relacionamento é aquele que se estabelece entre iguais, em que cada parte tem seus direitos e obrigações; onde há igualdade de direitos e de responsabilidade e respeito mútuo. É igualmente importante haver um diálogo aberto e a ausência de poder autoritário.  

A manutenção de um vínculo amoroso depende do investimento de ambos na relação, de confiança mútua, de disponibilidade de cada um para com o outro.

 

Relação mãe e filho

 

QUESTÕES SUBJETIVAS NA RELAÇÃO MÃE E FILHO

Resolvi escrever algumas palavras sobre a relação mãe-filho indo além do que as mulheres cotidianamente se ocupam, ou seja, as coisas objetivas que ocorrem nos cuidados com o filho. Vamos fazer um pequeno intervalo nos afazeres de todo dia e tentar entender as questões subjetivas que atravessam esta relação?

Através dos tempos, muitas foram as mudanças no modo de ser mãe. A vida na sociedade, na cultura e na família passou por inúmeras transformações, alterando os modelos anteriormente existentes.

Há muitos modos de exercer a função  materna, mas, independente da sociedade, da cultura ou do nível sócio-econômico, estas funções criarão marcas e identificações na criança  e vai exercer forte influência na constituição de sua subjetividade.

A relação mãe-filho modifica não somente a criança, mas também a mãe. Ela, ao passar pelo processo do parto e nascimento do bebê, vive um rito de passagem que lhe permite dar à luz a si mesma.

O processo de identificação da mãe com o bebê leva a mãe a perceber e a suprir as necessidades de seu filho. A mãe, nos primeiros anos de vida da criança, exerce a função de acolher e processar as angústias, anseios, medos, necessidades e desejos de seu filho. Ela tem a função de apresentar o mundo à criança.

A amamentação é  fundamental para a sobrevivência e saúde do bebê sendo parte importante no processo de desenvolvimento emocional da criança. Esta fase da alimentação tem a capacidade de  unir a experiência de satisfação da fome, com a experiência de segurança, carinho e intimidade no relacionamento do filho com sua mãe.   

O processo de desmame, dependendo da forma como for conduzido, poderá interferir na relação do indivíduo com sua alimentação na fase adulta e indicar certas dificuldades da mãe e da criança em lidar com o processo de separação.

As brincadeiras que a criança realiza, desde os primeiros momentos de sua vida, contribuirão para sua socialização.A criança brinca não somente para repetir situações satisfatórias, mas também para elaborar as que lhe foram traumáticas e dolorosas. Por meio da brincadeira ela recria regras, deixa a imaginação e os sentimentos livres sendo capaz de expressar experiências desagradáveis, atingir um senso de controle sobre os eventos ocorridos e elevar sua auto-estima.

O lúdico também auxilia na revelação de sentimentos e pensamentos que a criança não havia percebido e que, por comportamentos expressos a partir do brincar, pode vir a entrar em contato com estes afetos.

O brincar é fundamental para a estruturação da criança, daí a importância do estímulo a que ela tenha experiências de criatividade e de espontaneidade.

Depressão hoje

Resolvi falar sobre o tema da depressão devido à vinda, em meu consultório, de muitas pessoas que se dizem deprimidas.   

Atualmente encontramos grande número de pessoas que recebem o diagnóstico de depressão. Esta muitas vezes é chamada “O mal do século”.  Será que em todos os casos assim classificados podemos realmente dar este diagnóstico?

Hoje em dia, muitas vezes encontramos pessoas que se sentem incapacitadas para encontrar uma maneira de lidar com as novas exigências da sociedade contemporânea. Há um individualismo e um narcisismo exacerbados, uma cobrança excessiva de adaptação às regras da cultura, a insegurança na confiança e continuidade das relações afetivas, o medo e o desamparo frente às novas situações e tantas outras razões que tornam difícil saber como se virar tudo isto.

Além disso, as pessoas passam por freqüentes perdas: de pessoas, de situações, do lugar que ocupavam no mundo. Dessa forma, se faz necessária a elaboração do luto destas perdas.  Algumas pessoas podem passar por estas perdas sentindo-se tristes por um período e superando este sentimento, realizando uma elaboração necessária e construtiva. Mas há pessoas que não conseguem ultrapassar estas situações e entram em depressão.

Outro fator importante a levar em conta quando falamos no aumento do número de pessoas diagnosticadas com depressão, relaciona-se com os novos medicamentos antidepressivos, que muitas vezes são utilizados em qualquer circunstância, incluindo o luto comum.

Precisamos saber que  nem toda manifestação de tristeza significa depressão. Muitas vezes, a pessoa, passado o tempo necessário à elaboração do luto pela perda sofrida, conseguirá superar este momento e reinvestir a libido em outros objetos.

O mal-estar é inerente à condição humana. A sensação de desprazer pode ser sentida a partir de três lugares que são observados como fonte de sofrimento. O primeiro relaciona-se com o próprio corpo, com suas vivências de dor, desamparo, fragilidade e angústia.  O segundo provém do mundo externo, que é ameaçador. E o terceiro, decorre das dificuldades encontradas nas relações com outros seres humanos.

Estas sensações experimentadas pelo corpo, o medo do novo, e a sensação de  vazio, podem levar a pessoa a ter inúmeras ações na busca de preencher isto. Estas ações podem ser notadas no uso das drogas, na ingestão de alimentos em excesso, na busca insaciável do sexo, nas relações afetivas superficiais que se multiplicam.  Isto pode leva à busca de gratificações nas possibilidades que o mundo moderno oferece.

Mas nada irá preencher este vazio, pois a depressão se relaciona com  o abandono da busca de seu desejo. A saída do estado depressivo aponta para a constituição do desejo, para a descoberta de novas identificações, para a busca de saber se virar com tudo isto e de encontrar a sensação de que ele é feliz em viver.

 

El Uso de la Imagen en el Trabajo Comunitario

Leonor M. Cantera Espinosa

Universitat Autònoma de Barcelona

Departamento de Psicología Social

leonor.cantera@uab.es

 

Carmen Rodrigues Tatsch

Universidade Veiga de Almeida

Departamento de Psicología

carmenrodriguest@yahoo.com.br

 

Resumen

 

Seguir principios inherentes a la Psicología Comunitaria como el dar respuestas a los problemas sociales o facilitar el proceso de toma de conciencia y acciones encaminadas a la resolución o prevención de determinadas problemáticas; no es fácil y  representa una gran responsabilidad. Para ello, son muchas las personas que en el día a día tratan de buscar y utilizar métodos que lo faciliten. En nuestro trabajo hemos encontrado en el uso de la imagen una herramienta para facilitar procesos relacionados con las problemáticas y/o necesidades expresadas o detectadas en determinadas comunidades, ya sea en la toma de conciencia de aquello que le afecta y sus diferentes interrelaciones como en la construcción de diversas acciones dirigidas a su resolución.

 

Presentamos dos formas de uso de la imagen en el trabajo comunitario que tienen puntos de encuentros. Una, utilizando la metodología de video antropológico como herramienta para salud mental en comunidades de Río de Janeiro-Brasil para con una retroalimentación continua facilitar la transformación y resignificación. Verse en el video implica, como señala Paola Miele, una relación tridimensional del cuerpo en el espacio, el colocarse sobre y al lado del/la otro/a;  donde la cámara funciona como un/a otro/a. El/la  sujeto se confronta con su propia imagen a través del video; lo que le permite reconocerse a si mismo/a en el/la “otro/a”.

 

Por otro lado, la imagen es utilizada también en la fotointervención. Donde la imagen captada sea la propia o no, facilita la reflexión sobre las miradas y posturas que asumimos ante determinadas situaciones. Ambos procesos, facilitan el reconocer el cómo veo a la comunidad a la que pertenezco, a apreciar la propia singularidad y la historia propia. Y facilita si no el crear líneas de acción inmediatas, sí el darse cuenta, el despertar la reflexión y el tener sentido de partencia.

 

Palabras claves

 

Imágenes, fotointervención, sensibilización, empoderamiento

 

Trabajo de sensibilización comunitaria y de formación universitaria.

 

Entre los objetivos que tiene la psicología comunitaria está el facilitar el reconocimiento y el empoderamiento de las personas o grupos menos favorecidos socialmente. Y, a nivel de formación profesional, el poder ayudar a la sensibilización y toma de conciencia de los problemas sociales para poder ser instrumentos de cambio.

 

Nuestro trabajo consiste en ejemplificar a través de dos intervenciones llevadas a cabo en Brasil y España, el uso de la imagen como herramienta facilitadora de dos procesos: el empoderamiento y la sensibilización.

 

El trabajo comunitario en Brasil fue realizado en una comunidad descendiente de esclavos africanos en la Región de Rasa del Municipio de Armaçao dos Búzios del estado de Rio de Janeiro. Esta participación en la comunidad fue, al inicio, parte de una investigación que articulaba la escuela de comunicación de la universidad Federal do Rio de Janeiro con el apoyo de la Fundaçao de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro. El objetivo inicial era promover la salud mental y el bienestar de la comunidad enfocando principalmente: la autoestima de sus integrantes, la valoración de la cultural local y la re-elaboración de las identidades.

Nuestra hipótesis era que si se trabajaba con las expresiones singulares de cada cultura esto funcionaria como un sistema informal de promoción de la salud que a su vez contribuiría a la identificación propia con características particulares alejadas de una mirada masificadora dominante. De manera que cuando facilitamos la visibilidad de culturas minoritarias estamos promoviendo la salud mental de sus integrantes.  La salud mental entendida como la reafirmación de la vida, la búsqueda de cambios que faciliten el ser y el estar.

 

La metodología utilizada fue el vídeo antropológico para realizar un estudio etnográfico. El procedimiento fue  realizar videos de la comunidad en su vida cotidiana por sus propios integrantes y para ello se les dio apoyo en el uso de la cámara. Fueron tomadas escenas diversas como: los debates en asambleas realizadas por la comunidad, la vida en la calle, entrevistas con agentes-líderes de la comunidad, etc. La comunidad fue invitada a asistir a las proyecciones de los videos y a las discusiones sobre los mismos. Dicha actividad contribuía a visualizar aspectos varios; como por ejemplo, sus canciones, sus preocupaciones, los recursos que utilizaban para lograr sus metas, etc

 

. Todo ello contribuyó a que desde el 2005 al 2007 la investigación bajo el nombre de Derecho al Trabajo y Desarrollo Humano y Social facilitara y vigilara por preservar las características particulares de la comunidad. Contribuyendo a la memoria de la calidad de vida de sus integrantes buscábamos a promover la solidaridad e integración grupal.

 

La investigación arrojó que era imposible mejorar la calidad de vida de esta población si no era incluida la herencia cultural de los nativos de Búzio e incorporar esa memoria, hasta ahora excluida, en el mercado de trabajo de ese municipio. Esto era un derecho y respeto a su reconocimiento, a favorecer su autoestima y la ganancia de su sustento con dignidad.

 

Entre los resultados de la investigación-acción en la comunidad se constató que cuando la comunidad comenzó a convivir con otros miembros de la comunidad desde ese respeto y reconocimiento, se comenzó a articular un proyecto de turismo histórico-antropológico-ecológico que reúne a varios participantes pertenecientes a diversas asociaciones de la región como lo son: artesanos, pequeños agricultores, lideratos ligados a la ecología y preservación del medio ambiente, así como pescadores. La propuesta es un turismo alternativo que permita la valorización de la historia y la cultura y a través de ello la revalorización e inclusión de la sociedad buziana como forma de solidaridad y exaltación identitaria.

 

La comunidad de Rasa aún cuando mantenía formas auténticas de expresión (fruto de sus raíces históricas) y de diversidad cultural; no tenía conciencia de las mismas y de su importancia para una sociedad plural. Tendía a ocultarlas producto de años de invisibilización y ocultación de la cultura dominante. Sus habitantes  se encontraban excluidos de la vida social, cultural y económica reinante en el Municipio; y en fase de una desintegración cultural y de su historia. Se logró modificar las relaciones de poder existentes dando paso a deliberaciones políticas más participativas. Todo ello permitió un proceso de transformación y empoderamiento de los y las integrantes de dicha comunidad.

 

Experiencia en la formación universitaria

 

La experiencia tuvo lugar en el marco del máster sobre violencia de género y de una signatura de grado (Evaluación e Intervención psicosocial) en la Universidad Autónoma de Barcelona. Los objetivos eran: el facilitar a través del uso de las nuevas tecnologías la observación del entorno y el ejercicio de la reflexión y análisis de la cotidianidad. Posibilitar una nueva visión de sí mismo/a. y, facilitar el auto-análisis de formas expresivas y comportamientos desde una visión crítica.

 

La técnica utilizada para ello fue la fotointervención que es una herramienta de análisis y de acción psicosocial que articula la fotografía como medio de visibilización de realidades sociales problemáticas con los principios de investigación e intervención de la psicología social comunitaria comprometida con el cambio de estas realidades.

 

La metodología empleada es la que dicta la técnica resumiéndose en: entrega de la cámara, realización de fotos, presentación de las mismas, discusión-problematización y la elaboración de posibles acciones.

 

Los resultados obtenidos con el uso de la fotointervención son: la visualización y cuestionamiento de situaciones problemáticas tabú, la articulación de los niveles individual, interindividual y grupal. Y, finalmente, la interconexión de diversos problemas sociales  Todo ello facilitó no sólo la concienciación y sensibilización ante los problemas sociales sino poder visualizar como en la cotidianidad es fácil que los procesos se vivan y entiendan como propios y normales bajo el velo de la normalización.

 

A continuación mostramos algunas imágenes de la comunidad en Brasil donde se llevó a cabo el proyecto y algunas imágenes tomadas por el estudiantado del master sobre violencia en la pareja y a nivel de grado; como ejemplos del trabajo de identificación a través de las imágenes.

 

 

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