Roda de Conversa, 20 de junho
Hoje a roda girou em torno das músicas, em especial , das letras de Chico Buarque, em homenagem a seu aniversário. Cada pessoas lia, ou cantava uma música deste compositor. Eu li a letra de Meu Guri. Depois percebi que havia lido como uma mãe que tem muito orgulho de seu filho. Embora a letra diga:
Olha aí, é o meu guri.
Chega suado do batente e traz sempre um presente pra me encabular.
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro, chave, caderneta, terço e patuá, um lenço e uma penca de documentos pra finalmente eu me identificar.
Olha aí, é o meu guri.
Esta mãe agradece por tanta atenção e dedicação por parte do filho. Quem vive na classe média e tem as necessidades básicas resolvidas, pode não entender esse orgulho.
Eu desenvolvi pesquisas em comunidades faveladas do Rio de Janeiro e muitas vezes ouvi mães e mulheres de pessoas que a lei irá chamar de ladrões , ou de traficantes, mas elas diziam coisas tais como:
Meu filho é bicho homem. Bota comida dentro de casa, me deu uma televisão de presente… seu olhar, seus valores, modos de vida são outros.
Após a leitura das letras as pessoas comentavam o porque de sua escolha.
No segundo tempo, contamos com a apresentação de Júlio Mafra e Regina Guarilia, criadores do projeto Os leitores. Eles leram letras, fragmentos e textos de Aldir Blanc. Foi um momento poético muito tocante. Após a leitura, os entrevistei e comentaram sobre a história e motivação para a realização dos Leitores. A escolha de Aldir Blanc como tema foi de grande sensibilidade. Pela alta qualidade de sua obra, como uma dedicatória à sua recente perda, como apoio à lei De Emergência Cultural que leva seu nome. Os demais participantes trocaram interessadas opiniões sobre o tema.