Este dia foi marcante, pois iniciamos uma nova fase na Roda de Conversa : as entrevistas. No primeiro tempo a conversa girou em torno do texto de Simone de Beauvoir. Exibimos um vídeo com a interpretação de Fernanda Montenegro e cada pessoa fez comentários sobre a parte do texto com a qual se identificou.
Algumas frases foram impactantes, outras escolhidas por muitas pessoas. Teceram-se redes de interações. No segundo momento o professor de Butoh Gustavo Colini falou a respeito de seus mestres. Sobre Grotowski, comentou a religiosidade de seu teatro experimental; e discorreu sobre a dança existencial da coreógrafa Pina Bausch e a Dança das Sombras do bailarino criador do Butoh- Kazuo Ono. Os participantes da Roda de Conversa demonstraram terem tido grande interesse na entrevista e no debate com o professor.
Texto:
“A impressão que eu tenho é a de não ter envelhecido embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.” Simone de Beauvoir