Este tema vem com freqüência no consultório, por pessoas de todas as idades, além de ter sido solicitado por alguns ouvintes de meus áudios.
As crianças apresentam às vezes angústia por terem de lidar com situações ligadas à sexualidade que não conseguem entender, ou expressar.
Os adolescentes freqüentemente se sentem despreparados para o turbilhão de afetos, impulsos, fantasias que até então desconheciam.
Os jovens podem vir a reagir de modo atabalhoado, intenso, ou indeciso diante de escolhas frente às quais ainda não se sentem preparados.
A maturidade tende, por vezes, à acomodação de situações já conhecidas, mas nem sempre satisfatórias. E com freqüência, à ruptura de escolhas com as quais já não se identifica.
A menopausa causa à mulher o medo de uma mudança brusca em seus impulsos sexuais.
As pessoas com idade mais avançada podem, ou não, vir a se desinteressar por assuntos desta ordem.
Cada idade terá suas características, medos e expressões. Nos mais jovens, os temores relacionam-se, entre outros, com a intensidade dos impulsos e sentimentos. Nas idades mais avançadas a dificuldade é lidar com o declínio destes.
Mas na contemporaneidade houveram grandes mudanças nos comportamentos e expectativas sobre a vida pessoal e social. Com o avanço dos novos medicamentos e a ampliação da perspectiva de vida, não há necessariamente um corte no manejo das relações afetivo-sexuais.
As vivências das pessoas que já passaram por todas as fases anteriores podem dar uma maior compreensão dos processos que atravessam este tema. A expectativa geralmente é menor, já não há a predominância do estar em relação amorosa assiduamente. Outras questões podem vir a preencher o que anteriormente era de uma urgência absoluta e de um vazio avassalador se não fosse logo preenchido.
Isto não quer dizer que a profundidade das sensações seja menor. Pelo contrário, a experiência e a calma são poderosas companheiras para atingir-se o clímax desejado.
Algumas pessoas talvez não direcionem seu foco para a realização destes propósitos. Mas desenvolver algo neste sentido, mesmo que não seja o objetivo central de sua vida, costuma trazer bem-estar às pessoas. Como dizia o poeta: qualquer maneira de amar vale a pena, se a alma não é pequena.
A sensibilidade é algo que pode ser desenvolvida. Um leve toque, a fruição dos pequenos momentos, a criação de oportunidades que propiciem prazeres são maneiras de amar. Mesmo que não seja AQUELE AMOR idílico, buscado pelos poetas e por tantos românticos.
Não importa o gênero, ou a idade, reviver momentos lúdicos, criar brincadeiras, podem vir a trazer satisfações inesperadas.
Outro aspecto que não é explícitamente ligado ao desabrochar da libido, mas que interfere nesta é a liberdade.
Relações opressoras, controladoras, ciúmes castradores, imposição de poder de um sobre o outro são antítese ao livre gozar da vida.
Gosto muito de uma música que Caetano Veloso e os filhos cantam que diz assim:
O seu amor, ame-o e deixe-o, livre para amar,
O seu amor, ame-o e deixe-o, ir aonde quiser ,
O seu amor, ame-o e deixe-o, brincar
Ame-o e deixe-o, correr
Ame-o e deixe-o, cansar
Ame-o e deixe-o, dormir em paz.
O seu amor, ame-o e deixe-o, ser o que ele é.