Roda de Conversa 13

Roda de Conversa  – dia 27 de junho

Neste sábado Nosso convidado foi Kiko Continentino. Na primeira parte da Roda de Conversa esta girou especialmente ao redor de Gilberto Gil. Foram lidas letras de músicas deste compositor. Eu li Palco. Chamou-me a atenção passagem por dois movimentos: um aponta para a leveza, a alegria, o deleite. Diz que

Subo neste palco, minha alma cheira a talco, como bumbum de bebê. Eu como devoto trago um cesto de alegrias de quintal.

Há também um cântaro, quem manda é deusa-música pedindo pra deixar, pra deixar derramar o bálsamo.

Entremeando os versos suaves surgem outros trazendo a cólera:  Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra constituir
O inferno
Fora daqui, fora daqui
Fora daqui, fora daqui

Estes dois movimentos, da amorosidade e da cólera, têm correspondências com o Brasil

Enquanto um dos participantes da roda lia uma das letras, surge Kiko Continentino e inesperadamente começa a acompanhá-lo no piano. Esta chegada quebrou toda a rígida combinação que eu havia feito. E me deu a sensação de liberdade e amplitude. Percebi o quanto naquele momento e com esta pessoa que ali estava com sua plena presença, não fazia o menor sentido a marcação: primeiro tantos minutos para isto e depois tantos para aquilo. Deixar fluir. O improviso não só no palco, mas na vida, pensei. Preciso praticar mais isto.

A seguir Kiko tocou algumas músicas solo e outras acompanhado de sua esposa Lucynha Lima. As músicas eram intercaladas com um papo descontraído e afetivo. A qualidade artística de Kiko eu já conhecia de longa data. Sabia que estaria em companhia de um dos melhores pianistas/ tecladistas do Brasil. O que chamou a atenção foi a espontaneidade e a receptividade para com os outros. Lucynha Lima se emocionou ao falar do interessante trabalho que desenvolve com pessoas que freqüentam a APAE.

O bate papo se estendeu até os limites do tempo da roda. Foi uma experiência inesquecível.