Roda de Conversa Dia 29 com Luiz Paulo

Invisíveis

O tema da roda de hoje trata dos invisíveis, daqueles que são não só ignorados, mas considerados seres abjetos, que devem ser descartados. São considerados dejetos.

Nesta época de ascensão de lideranças autoritárias e populistas, vimos o crescimento de movimentos em que os sujeitos abrem mão da subjetividade, da escolha e se fundem na massa.

A intolerância desaparece, por meio da formação da massa e dentro da massa. Os integrantes de uma massa supõem-se todos irmãos indiferenciados, como se tivessem a mesma forma, uni-form-izados.
A massa pode ser constituída pelo ódio a um inimigo comum. Os sujeitos que podem ser colocados em esquemas preconceituosos, tais como o racismo, a xenofobia, homossexualismo são transformados pela massa em sujeitos que eles consideram abjetos. Há a queda da identificação, e aumento da rejeição ao que lhes é considerado estrangeiro.
Há o gozo da massa e o ódio como paixão. O outro tomado como abjeto é desumanizado, deve ser jogado fora.

Os homens fundamentam os sentimentos de estranheza e hostilidade entre eles em suas pequenas diferenças, apesar de sua semelhança em todo o resto.

A alteridade é vivida como uma ameaça e expurgada dos laços sociais.
A unidade só se forma e se mantém quando há um outro a quem se destina esse impulso agressivo.  Hà uma heterogeneidade intergrupal e, ao mesmo tempo, uma homogeneidade intragrupal.

Nas sociedades contemporâneas, dominadas pelas relações de mercado, sob o domínio do discurso capitalista, cresce a transformação dos laços sociais em mercadorias, reduz-se tudo ao valor de uso, às funções que os objetos ocupam. Há uma “coisificação” de tudo e de todos.

Os discursos que imperam são de dominação. O modo de derrubar o poder imperativo destes discursos é substituir estes dando lugar ao desejo.E que é de cada um. Um a Um.

O convidado para abordar a questão dos Invisíveis foi Luiz Paulo Ribeiro Barbosa, professor de História e Sociologia, com mestrado em Ciência Política, participante da Escola de Psicanálise letra Freudiana. Ele atua com moradores em situação de rua, especialmente aqueles que freqüentam a chamada “cracolândia”. Trabalha como cozinheiro voluntário na brinquedoteca da Mangueira e é coordenador de projetos sociais no morro da galinha e do Jacaré.