Roda de Conversa 14

Roda de conversa  4 de Julho

Neste dia, na primeira parte da roda, eu trouxe alguns estudos realizados       com o teatro e suas contribuições para a transformação da pessoa na relação consigo, com os outros e com o meio onde está inserida.

A partir de nossas pesquisas, entendemos que o teatro por ser uma arte de síntese; por ter funções catárticas, lúdicas, integradoras; por sintetizar e reorganizar os signos; por possibilitar a metamorfose e a expressão das emoções e de várias formas de comunicação, tem um potencial que nos permite a transformação do homem em sua relação com o contexto. Estas características do teatro podem auxiliar no processo de compartilhamento coletivo de experiências, de sentir-mo-nos pertencendo a um grupo, a uma cultura.

        Abordamos uma breve história do teatro, focalizando o momento de passagem dos ritos para o início do teatro.

         O teatro inicialmente era uma expressão integrada aos ritos, às festas,  onde se buscava o êxtase, a comunhão dos homens entre si e com o cosmos.

        Com uma organização social mais firme as artes irão surgir de forma diferenciada.Na cidade- estado grego passa a caracterizar-se como arte autônoma das outras e com regras específicas de atuação.

        É aí que tem início a tragédia.

        Fabio Nazareth, que além de mediador participa ativamente das atividades da roda, leu trechos da tragédia Édipo Rei, onde o coro diz:

A desmedida gera tirania.

A desmedida –

Se a infla o excesso vão

Do inoportuno e inútil- galgando extremos cimos, decairá

No precipício da necessidade, onde os pés não tem préstimo.

      Na Grécia antiga os deuses consideravam a desmedida ofensiva, pois ultrapassavam a medida do homem como mortal. Os que a cometiam eram condenados a castigos terríveis. Vide Édipo.

       Nos dias atuais, a desmedida é cultivada. Nesta sociedade de consumo o excesso é incentivado. Cada um querer manter-se na sua medida é entendido como ser alguém pequeno, sem valor.

Carmem Gadelha entra então e eu faço algumas questões que me instigaram em seu artigo O Barroco enquanto aspecto do grotesco e do trágico.

A primeira questão tem seu foco nas conseqüências sobre noções de corpo, espaço e tempo no teatro, a partir dos dois aspectos  que balisam o barroco: a obra de arte total de Wagner e a desconstrução do espetáculo em Artaud.

A resposta a esta pergunta, extremamente complexa, não é possível desenvolver aqui, mas pode ser acessada na Revista Urdimento, da UDESC. Bem como as demais questões descritas abaixo.

– O transbordamento artaudiano despeja elos da narrativa e conduz a um fora que retorna e cria dobras, inclusive políticas.

– O rosto é uma política: desfazê-lo também é.

O debate foi acalorado e vivo. Entre os exemplos dados relacionados aos dias atuais, interessou-me a menção das manifestações públicas de luto realizadas por moradores de comunidades que não puderam se despedir de seus familiares. Estas foram consideradas como espetáculo. O espetáculo hoje não se resume aos palcos tradicionais, mas ocupa também os espaços públicos.